O Brasil é uma referência mundial em termos de vacinação. É considerado um exemplo a ser seguido por nações em desenvolvimento. Temos laboratórios nacionais de referência, como o Instituto Butantã, em São Paulo, a Fiocruz, no Rio de Janeiro, e o Tecpar, aqui no Paraná.

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A poliomielite foi erradicada no Brasil com a campanha do Zé Gotinha, todo mundo lembra dela. Sarampo era uma vaga lembrança na memória dos brasileiros, que só retornou ao país pelo descontrole na fronteira com a pobre Venezuela. A vacina da gripe também é aplicada de forma universal através do sistema público de saúde e também pela rede particular de clínicas e laboratórios.

Era de se pensar que como somos referência em algumas vacinas, uma vacinação em massa contra o coronavírus seria fácil de ser implantada no Brasil, mas infelizmente não vai ser assim. E a razão para isso é que a vacina contra o corona virou uma disputa política entre o Governo Federal e alguns governadores. Não houve uma integração de projetos, de esforços, de recursos: cada um quis sair na frente para conquistar dividendos políticos visando as eleições de 2022.

O Paraná e a Bahia aderiram à vacina da Rússia, do eterno presidente Vladimir Putin, que não conseguiu provar para a Europa que a sua vacina era eficaz. Os técnicos do Tecpar estão trabalhando duro para produzir uma vacina confiável, ainda sem prazo para sair do laboratório. São Paulo, do governador João Dória, optou pela vacina chinesa e pretende sair aplicando a primeira dose já no início de janeiro. E o presidente Bolsonaro, do jeito dele, optou por brigar com todo mundo: disse que ninguém era obrigado a tomar vacina, bateu boca com o governador paulista e ficou ao lado dos americanos numa vacina que precisa ser mantida a baixas temperaturas, o que para um país tropical, com pouca logística, torna praticamente impossível garantir a integridade do medicamento.

Os cientistas lembram sempre que uma vacina demora em média 10 anos para ficar pronta. Os testes preliminares mostraram que as vacinas contra o coronavírus têm de 90 a 95% de efetividade. São vacinas emergenciais, que chegam para resolver uma crise, mas que serão reavaliadas a cada reação adversa que surgir.

O mundo parou, a economia global está vivendo a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Evoluímos tecnologicamente mas perdemos para um vírus invisível, que não apenas matou milhares de pessoas ao redor do planeta, mas destruiu empresas e empregos e acabou com o bom senso de diversos líderes políticos, que optaram pelo próprio ego ao invés de se unirem em busca de uma solução que garanta o bem estar da população. Vamos torcer para que as vacinas funcionem e que a gente possa voltar à nossa vida normal.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.