O presidente Jair Bolsonaro resolveu investigar o motivo pelo qual o preço de alguns produtos da cesta básica subiram tanto de valor. O vilão da vez é o arroz, que disparou nas prateleiras dos supermercados nas últimas semanas. O presidente investigou e descobriu que os produtores brasileiros pararam de importar o produto por conta do dólar alto. O dólar, que quase bateu a casa dos 6 reais, fez com que muitos agricultores trocassem o plantio do arroz pela soja, para aproveitar o valor da moeda americana e exportar a produção para o exterior.

O Brasil não produz todo o arroz que consome. Ele precisa trazer o produto de países como Argentina, Paraguai e Uruguai, que também aproveitaram para aumentar o preço do arroz vendido ao Brasil. Todo mundo aumentou o preço e quem paga a conta é o povo brasileiro, que consome mais de 10 milhões de toneladas por ano.

Bolsonaro zerou o imposto de importação do arroz para garantir uma compra mais barata e tentar estabilizar o preço final, mas já avisou, vai ficar de olho nos comerciantes que cometerem abusos. Quem for pego fazendo sacanagem vai acabar entrando numa fria, porque o presidente já autorizou os fiscais do Ministério da Agricultura a ficarem de olho. Não é controlar o preço, ou interferir nas relações comerciais, mas sim evitar que na crise os espertalhões tratem de passar a perna no povo.

Tem até pré-candidato a prefeito usando o preço do arroz para atacar os seus adversários, como se a responsabilidade do preço do produto fosse do prefeito ou do vereador. Pelo visto teremos uma eleição em 15 de novembro de renovação em diversas cidades. Existe uma campanha nas redes sociais para promover mudanças. A pandemia do coronavírus fez com quem as pessoas avaliassem melhor os seus representantes, e talvez o reflexo disso seja uma nova safra de prefeitos e vereadores.

Para os prefeitos bem avaliados, que souberam contornar a crise e que estão fazendo uma boa gestão, o caminho para a reeleição parece estar mais fácil. Já a vida dos atuais vereadores não será. Tem uma juventude com vontade de fazer diferente, que se mostra preocupada com a geração de emprego e renda, que acredita que pode fazer diferente e fazer melhor. Essa nova leva de pessoas que nunca exerceram uma função pública, que não possuem um passado político, que estão zeradas na vida eleitoral, podem surpreender as velhas oligarquias que não largam o poder. Será uma eleição diferente e emocionante, onde a busca de voto não vai ser como antigamente, aqueles que entenderem isso podem sair vitoriosos das urnas. Até lá vamos torcer para que o preço do arroz, do feijão e da carne volte a ter um valor aceitável.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


 

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.