Esse ditado não é novo, é coisa de séculos atrás, quando as pessoas preferiam a solidão à companhia de alguém que lhe causasse algum tipo de constrangimento, dor ou malefício.

Talvez seja isso que o presidente Jair Bolsonaro pensou ao proferir essa semana o pior pronunciamento da história democrática do Brasil. É melhor ficar só.

Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

O nosso presidente tem um pouco de razão quando se preocupa com a economia, com os mais de 20 milhões de brasileiros que vivem na informalidade, com as micro e pequenas empresas que estão enfrentando dificuldades neste momento de crise, e com todo um sistema que pode entrar em colapso em virtude do coronavírus, mas ele errou na forma e no conteúdo, ao menosprezar a vida humana.

Ele preferiu se isolar e atacar, preferiu o ódio ao diálogo, se deixou contaminar pelo ciúmes ao invés da razão, e agora está solitário no Palácio, assim como na fábula infantil “O Rei está Nu”.

Bolsonaro está nu, cercado por pessoas que só sabem dizer sim para os seus devaneios e loucuras. Não tem ninguém capaz de contrapor qualquer argumento para o capitão, nem mesmo o seu vice-presidente, o General Mourão, que ao discordar da forma como presidente se manifestou ouviu a seguinte resposta: o presidente sou eu.

Jair Bolsonaro esquece que numa democracia não se governa sozinho. É preciso ter o apoio do Congresso Nacional, ter ao seu lado deputados e senadores, para juntos proporem uma saída para a crise. Na bagunça que é a democracia brasileira o sistema Judiciário acaba tendo um papel diferente, e se torna um pequeno legislador ao invés de ser o guardião da nossa Constituição. 

O presidente começa a colecionar mais inimigos do que amigos e isso é um risco para ele. Pensar que os seus três filhos vão resolver o problema é um erro gigantesco. O ódio e a ignorância não lhe serão úteis nessa crise, é preciso ter inteligência e humildade para construir uma solução. 

Bolsonaro preferiu ir na linha do presidente americano Donald Trump ao questionar a pandemia. Mas lá a diferença é uma só, antes de Trump falar em acabar com o distanciamento social, ele aprovou um pacote de estímulo à economia de 2 trilhões de dólares, ou seja, 10 trilhões de reais. Ele vai pagar 3 mil reais semanais de seguro desemprego, e cada família americana vai receber um cheque mensal de 1200 dólares, 6 mil reais, enquanto durar a crise.

A classe política brasileira começa a se mexer nos bastidores e se Bolsonaro não abrir os olhos em breve ele terá muitos problemas pela frente e não será surpresa nenhuma que ele seja tirado do cargo por deputados e senadores, já que vem perdendo apoio inclusive dos seus eleitores. Vamos ver o que vem. 

 

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.