O presidente Jair Bolsonaro tomou uma decisão arriscada esta semana ao demitir o médico Luiz Henrique Mandetta do cargo de Ministro da Saúde. Os dois já vinham se desentendendo faz tempo em virtude de opiniões contrárias sobre o combate ao coronavírus. Bolsonaro era a favor de acabar com o distanciamento social, já Mandetta, seguia às recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e pedia para todos ficarem em casa.

O presidente desrespeitava o seu ministro em público. Não só falava abertamente sobre o fim do isolamento, como também saía às ruas para cumprimentar pessoas, visitar locais públicos, sem nenhum tipo de proteção sanitária. A gota da d’água foi a péssima entrevista que Mandetta resolveu dar para o programa Fantástico, da Rede Globo, expondo as divergências entre os dois em horário nobre.

(Reprodução Youtube)

Caiu Mandetta e assume o médico Nelson Teich, um oncologista carioca que conta com o apoio de entidades médicas, tem uma postura parecida com a de Mandetta em relação ao distanciamento social, mas também deve atender aos desejos de Bolsonaro.

Um dos desejos já bateu na trave quando o Supremo Tribunal Federal deu parecer favorável dizendo que Estados e Municípios têm autonomia para decidir sobre o nível de distanciamento social, e que tipo de estabelecimentos comerciais podem ou não abrir.

O presidente também acabou sofrendo nova derrota no Congresso Nacional com a aprovação de um pacote de ajuda aos Estados no valor de 220 bilhões de reais. Dinheiro que vai sair dos cofres públicos da União direto para os cofres dos Estados, sem nenhum tipo de contra-partida ou previsão de devolução ou ajuste de contas. Uma grande sacanagem orquestrada pelo presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, num clara demonstração de força contra o presidente da República.

Enquanto isso o povo brasileiro está ai, sem saber para onde correr, se fica em casa ou volta ao trabalho, se corre o risco de morrer de coronavírus ou de fome. Na verdade estamos assistindo a uma luta por poder. Todos de olho nas eleições de 2022. Bolsonaro sonhando com uma reeleição a cada dia mais longe de acontecer, Mandetta que tinha 76% de aprovação sai do jogo antes mesmo de ter entrado, e Rodrigo Maia que usa o Congresso Nacional como projeto pessoal de poder para quem sabe um dia vestir a faixa presidencial.

Com o povo parece que ninguém está realmente preocupado.

A nós resta rezar para que tudo passe logo e que a gente consiga sobreviver e volte a sonhar com um Brasil melhor.

 

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.