Os brasileiros foram presenteados essa semana com um ato da AGU, a famosa Advocacia Geral da União, que via decisão monocrática promoveu ao topo da carreira 607 procuradores federais. Essas pessoas privilegiadas passaram a ganhar R$ 27.303,00 (vinte e sete mil reais!) de salário. Decisão tomada, uma chuva de críticas e um pedido do TCU, o Tribunal de Contas da União, para o cancelamento da promoção que ele considerou: “inoportuna e indecorosa, que mostra indiferença com a população mais pobre, chamada a pagar a conta exatamente no momento em que, possivelmente, enfrentam as maiores dificuldades com a Covid-19”.

Essa promoção, que para alguns é um direito dos procuradores federais, é uma mostra do abuso de poder que a administração pública, de uma forma geral, impõe à sociedade brasileira faz muitos e muitos anos. Aqueles que trabalham no Executivo, Legislativo ou Judiciário vivem um mundo à parte. Possuem uma barreira de proteção praticamente intransponível: são poucos, muito poucos os casos em que um funcionário público é punido ou demitido. No Judiciário os juízes e desembargadores com desvio de conduta são aposentados compulsoriamente. Vão para casa, sem sofrer punição alguma, com vencimentos acima dos 30 mil reais. No Legislativo é possível contar nos dedos de apenas uma mão os casos de punição. Lá eles preferem varrer a sujeira para debaixo do tapete. E, no Executivo, o que se vê é apenas protesto por aumento salarial, promoções e benefícios, nada de se falar em produtividade e merecimento.

Foto: Agência Brasil

A reforma administrativa que está em curso no Congresso Nacional, e que se aprovada deve ser aplicada também nos Estados e Municípios, deve acabar com os privilégios, com a estabilidade no emprego, impor regras mais rígidas para promoções e aumentos salariais, e punições graves para aqueles que cometerem desvios na função.

Aqueles que trabalham, que produzem, que justificam o sacrifício que a população brasileira faz ao pagar tantos impostos, esses sim devem ter um bom salário. Ganhar bem não é crime. Ganhar bem deve ser por merecimento e conduta. Ganhar bem não pode ser através de uma reunião de amigos, numa sala fechada, ao final do expediente, decidindo um dar aumento para outro. Isso é uma vergonha para todos que produzem e trabalham no Brasil. A gritaria com esse aumento foi tanta, a revolta da população foi ainda maior, e o medo deles de serem apedrejados na rua, fez com que todos os envolvidos voltassem atrás e revogassem o aumento. Isso serve de lição para todos nós brasileiros, quando a gente bate o pé, os governantes acabam fazendo aquilo que o povo quer.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.