Secretária da Educação deu entrevista ao radialista Geovane Barreiro no Jornal da Banda B 2ª Edição. (Foto: Reprodução)

 

Muito além do quadro-negro, giz e caderno. Os alunos das escolas municipais de Curitiba têm a oportunidade de sair da sala de aula convencional e botar a mão na massa para criar projetos, explorar lugares históricos e conhecer de perto o trabalho de cientistas. Tudo isso é possível graças a uma série de programas educacionais, lançados pela prefeitura, que aproximam os estudantes das tecnologias e mudam a forma como eles enxergam o conhecimento.

“São crianças de 0 a 10 anos que se apropriam das ferramentas tecnológicas. E é com elas que nós temos que trabalhar, despertá-las para esse mundo. Por isso, precisamos fazer uma escola diferente, e já temos, inclusive, muitas iniciativas que levam os nossos alunos a terem contato com ações inovadoras”, disse a secretária Municipal da Educação (SME) de Curitiba, Maria Silva Bacila, em entrevista ao radialista Geovane Barreiro no Jornal da Banda B 2ª Edição desta terça-feira (3).

Segundo ela, o principal objetivo dessas ações, além de produzir conhecimento, é trabalhar a cidade a partir da organização do currículo escolar e criar, assim, o sentimento de pertencimento das crianças à capital paranaense. Conheça abaixo alguns dos projetos e programas desenvolvidos pela prefeitura nessa área:

Faróis do Saber e Inovação

A secretária explicou que os Faróis do Saber e Inovação se constituem como “espaços maker”, onde as crianças levam questões da realidade ou demandas da própria comunidade a fim de criar soluções. “Eles aprendem por meio de uma metodologia problematizadora, que faz com que as crianças encontrem não só a resposta tecnológica, mas também a lógica, já que elas mesmas mexem com papel, argila e diferentes materiais, construindo criativamente essa solução”.

É nessa hora que os alunos entram, então, no processo de prototipagem e dão vida aos projetos com o uso de impressoras 3D. “O prefeito até brinca que nós temos uma fábrica de brinquedo, que fascina as crianças, mas que não é só isso. A gente possui uma solução para o mundo de hoje, porque os estudantes levantam perguntas que, muitas vezes, nós adultos não conseguimos enxergar”, completou Maria Bacila.

O projeto Faróis do Saber e Inovação deu tão certo que foi até premiado pelo MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. “Isso nos orgulha muito. Assim como esses espaços foram inovadores na década de 90, hoje também representam inovação para o século 21″.

Curitiba tem 44 Faróis do Saber, que gradativamente estão se transformando em espaços maker. Ainda nesse ano, 10 deles farão parte do projeto de inovação, mas a ideia é dobrar esse número ao longo da gestão, de acordo com a prefeitura.

Cientistas na Escola

Outro projeto importante para a educação das crianças é o “Cientistas na Escola”, que promove o intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores das universidades e os alunos da rede municipal de ensino. “Isso encurta o distanciamento entre a academia e a escola. É essencial que a criança conheça o modo como a universidade funciona e como o cientista trabalha no seu cotidiano. As crianças têm curiosidade e pensamento genuíno sobre esses profissionais”, comentou a secretária.

Ela ressaltou que os benefícios da iniciativa, que leva os cientistas para as escolas, são recíprocos. “Ao mesmo tempo em que os alunos aprendem de uma forma mais aprofundada, os cientistas são ajudados pelos estudantes a produzirem mais, a olhar os objetos de pesquisa com outros olhos. De repente eles dão de cara com perguntas que nunca pensariam se não fossem as crianças”.

Linhas do Conhecimento

Já o programa “Linhas do Conhecimento”, segundo a secretária, transforma Curitiba em um livro didático. A partir dele, as crianças podem explorar diferentes locais da cidade para aulas de campo. Os roteiros oferecidos pela prefeitura estão ligados ao currículo pedagógico desenvolvido no município.

“Todo lugar provoca aprendizagem. Nós temos um currículo que orienta a prática pedagógica e, a partir disso, há um leque de opções de lugares para onde os professores podem levar os alunos, lembrando que essa ação está sempre relacionada ao conteúdo aprendido em sala de aula”, contou Bacila.

Para participar, o docente deve entrar no site, ver o material disponível e se inscrever no programa. “Há um processo de inscrição e seleção, de um modo geral todos são contemplados, com o ajuste do cronograma. A aula de campo sempre tem um propósito… O estudante não vai visitar, passear no local escolhido, mas pesquisá-lo e explorá-lo. No retorno, as crianças produzem conhecimento, para que haja o processo de síntese”, finalizou.

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