Funcionários concursados do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) se reuniram em frente à sede do órgão, no bairro Alto da XV, em Curitiba, para protestar contra a proposta de novo Acordo Coletivo de Trabalho da atual direção. A manifestação aconteceu no final da tarde desta segunda-feira (13), justamente durante a festa e o coquetel oferecidos pela atual gestão para homenagear políticos do estado e comemorar o Dia do Arquiteto e Urbanista.

Entre as mudanças do novo acordo, estariam a redução de licença-maternidade, licença-paternidade e auxílio-funeral. Além de que os empregados da autarquia federal, responsável por fiscalizar a profissão, estariam sem reposição da inflação há quase dois anos.
“Todas as tentativas de diálogo por parte do Sindifisc-PR, o sindicato paranaense da categoria, foram ignoradas. O CAU/PR não quer repassar o percentual do INPC aos salários, mas aumentou o quadro de comissionados”, revela a nota do Sindicato dos Empregados dos Conselhos e Ordens de Fiscalização do Exercício Profissional do Estado do Paraná.
Nova gestão
A nova gestão do CAU/PR, eleita para o pleito de 2021 a 2023, presidida pelo arquiteto e urbanista Milton Zanelatto, ainda teria aumentado em 300% o número de cargos comissionados dentro do órgão no primeiro ano de mandato.
“O CAU/PR afirma estar sem receita para atender à reivindicação dos funcionários concursados, mas em contrapartida apresenta superávit nas contas e um grande apadrinhamento com contratações sem concurso público (comissionados). Por tudo isso é que os trabalhadores do CAU/PR estão mobilizados e realizando protestos para denunciar o descaso da autarquia com seus funcionários concursados”, finaliza a nota do Sindifisc-PR.
Outro lado
A reportagem da Banda B entrou em contato com a CAU que informou em nota:
É preciso esclarecer alguns fatos em relação à manifestação de uma pequena parcela dos funcionários do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná, realizada nesta segunda-feira à noite (dia 13), em frente a sede da entidade.
O que foi repassado pelos funcionários para a imprensa não condiz com a verdade. Inicialmente é necessário destacar que, em plena pandemia (novembro de 2020), às vésperas do início da nova gestão do Conselho, eles obtiveram reposição integral da inflação, bem como ganho real. Ou seja, diferente do que foi divulgado, o último acordo foi assinado a pouco mais de um ano.
A administração que assumiu em 2021 esteve disponível para discussão desde o mês de abril, participando de, pelo menos, cinco reuniões de negociação. Nelas, o Conselho cedeu em inúmeras reivindicações dos empregados e apresentou diversas propostas, sendo a última a que contempla reajuste de quase 6% nos salários, bem como as manutenções do Auxílio Alimentação de R$ 51,00 ao dia; do Auxílio Plano Saúde de até R$ 674,00 por pessoa; e do Auxílio Vale Cultura de R$ 50,00 ao mês.
Além disso o CAU/PR garantiu a continuidade de pagamento do Auxílio Transporte, da Licença Maternidade de 180 dias, da Licença Paternidade de 20 dias, do Auxílio Creche de R$ 347,00, do Auxílio Formação de até R$ 324 para realização de cursos de interesse e do Auxílio Funeral no valor de R$ 10 mil.
Causou espanto para a direção do CAU/PR a manifestação dos poucos empregados, numa atitude que dá a entender não estarem eles mais dispostos a negociar, antes mesmo de responderem a última proposta recebida do Conselho.
O CAU/PR sempre fez proposições realistas, baseadas no orçamento da entidade e no respeito ao uso das verbas públicos. Vale destacar, que apesar de ser uma autarquia federal especial, o Conselho, assim como as demais entidades representativas, não recebe recursos do governo, sendo mantido pelas contribuições dos arquitetos e urbanistas.
Inclusive, para minimizar aos profissionais da Arquitetura o impacto da crise e do atual cenário econômico, o CAU/PR lutou e conseguiu que as anuidades e serviços não fossem reajustados este ano. Para o presidente do Conselho, arquiteto e urbanista Milton Zanelatto, “a parcela dos funcionários que ora se manifesta, parece ser indiferente aos sacrifícios feitos pela imensa maioria da população brasileira durante a pandemia, incluindo arquitetos e urbanistas, e o próprio Conselho”, salienta ele.
A gestão do CAU/PR se mantém aberta às negociações, mas ao que parece, a ideia da manifestação tinha o objetivo de criar um fato para a imprensa, e não de incentivar as negociações. De qualquer forma, foi oferecida aos manifestantes e ao presidente do SINDIFISC a oportunidade de debater a situação ao vivo com a presidência do Conselho, os conselheiros e os profissionais que participavam do evento em comemoração ao Dia do Arquiteto, porém os mesmos negaram a oportunidade de diálogo/acordo, mais uma vez.
A administração do CAU/PR vai continuar prezando pela austeridade e pela responsabilidade fiscal em relação ao bom uso das contribuições dos arquitetos e urbanistas paranaenses. O presidente do Conselho é sensível às reivindicações dos colaboradores, declarando que “as negociações continuam em aberto, desde que com os pés no chão, e excluindo desde já propostas fora da nossa realidade”, completou Milton Zanelatto.
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