O secretária de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto, afirmou em comunicado enviado à imprensa que foi surpreendido pela decisão do governo Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (16) de mudar as regras da campanha de imunização contra a Covid-19 e passou a recomendar que adolescentes sem comorbidade não sejam vacinados. De acordo com o secretário, o Paraná aguarda um novo posicionamento do Ministério da Saúde sobre o assunto e defende que os municípios devem trabalhar juntos.

“Fomos surpreendidos hoje pela mudança de orientação do Ministério da Saúde em relação à vacinação dos adolescentes de 12 a 17 anos. Estamos debatendo esse assunto com o Ministério e aguardamos um novo posicionamento. Mas eu quero fazer um alerta, temos que trabalhar juntos com os municípios e somente avançar se tivermos confiança de que teremos as doses de vacinas necessárias para vacinar os adolescentes”, disse Beto Preto.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atribuiu o recuo a dúvidas sobre a segurança na imunização destes jovens e criticou estados que já começaram a imunizar os menores de 18 anos.
Apesar da nova orientação, o secretária acredita que a vacinação dos adolescentes sem comorbidade ainda irá acontecer. “Estamos trabalhando com afinco nesse assunto e não vamos gerar pânico por enquanto, nenhuma tomada de decisão equivocada. Eu tenho certeza que vamos conseguir vacinar, mas pra isso temos que trabalhar nos próximos dias junto com o Ministério da Saúde”, afirmou ele.
Anvisa
Pegos de surpresa, Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) pediram posicionamento da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a vacinação de adolescentes sem comorbidade. Isso porque a agência autorizou o uso do imunizante da Pfizer em jovens de 12 a 17 anos.
A agência manteve a indicação da vacina da Pfizer para este público, apesar de estar investigando a morte de uma adolescente de 16 anos após a aplicação do imunizante.
“A Anvisa já iniciou avaliação e a comunicação com outras autoridades públicas e adotará todas as ações necessárias para a rápida conclusão da investigação. Entretanto, com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina”, diz a nota.
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