O suspeito de executar a própria sogra na madrugada deste sábado (21), no bairro Campo Comprido, em Curitiba, segue desaparecido desde a morte de Jaqueline Aparecida Duarte dos Santos, de 47 anos. Ele foi embora da casa da vítima de motocicleta após o crime.

Jaqueline dos Santos foi executada dentro de casa.
Foto: Arquivo da família.

Em entrevista para a Banda B na manhã desta segunda-feira (23), a delegada Vanessa Alice, da Delegacia da Mulher de Curitiba, confirmou que o rapaz tem vínculo familiar com Jaqueline e que não há informações sobre o paradeiro dele.

“Ele é o genro, casado com a filha da vítima. A polícia espera que o rapaz se apresente. Vou representar contra a prisão dele, caso ele não compareça”, disse.

Enquanto isso, o inquérito está sendo instaurado e as testemunhas serão ouvidas.

Segundo a delegada Vanessa, o crime teria acontecido após uma discussão em uma reunião entre amigos que estavam na casa onde moram o autor e a filha da vítima momentos antes.

“A culpa de tudo é a bebida alcoólica”

disse a delegada.

Segundo ela, o autor estava em casa com a filha da vítima, um casal de amigos e mais um amigo deles. Todos consumiam bebida alcoólica.

“Em determinado momento, o amigo dele estava muito mal, chegou a vomitar. A esposa chegou nesse amigo e deu um tapa no rosto dele. Aí o autor do crime achou ruim e começou a dizer que uma mulher não podia bater no rosto do homem”, relatou Vanessa.

A situação, continuou a delegada, fez o genro de Jaqueline lembrar de um episódio antigo, no qual eles tiveram uma discussão e a vítima teria dado um tapa no rosto do genro.

“Ali, eles [genro e esposa] começaram a criar caso um com outro e ele deu um soco na esposa, que é a filha de Jaqueline.”

O casal de amigos conseguiu convencer a mulher a ir com as crianças dormir na casa deles, até que o marido se acalmasse, segundo Vanessa Alice.

“Nessa ele pegou a arma de fogo, que ele já tinha posse, foi até a casa da vítima e desferiu os tiros.”

Feminicídio

O advogado de defesa da vítima, Igor José Ogar, trata o caso como feminicídio, por ter ocorrido em um contexto familiar. Ele alega ter informações de que o genro de Jaqueline seria um homem violento e que costuma praticar crimes contra mulheres, afirmou Ogar para a reportagem da Banda B esta manhã.

“Ameaças e tantas outras circunstâncias, sempre colocando em risco e ofendendo a honra de mulheres. Neste contexto, temos informações da família de que a própria esposa, por muitas vezes, foi vítima.”

De acordo com o advogado da família de Jaqueline, o autor sempre anda armado e gostava de dizer que tinha diversas armas de fogo. “Uma pessoa periculosa e que, com certeza, não iremos permitir que responda a esse crime em liberdade. A sociedade não merece um assassino covarde colocando outras vítimas mulheres em risco, inclusive a própria esposa”, disse Ogar.

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