O filme “Quinze Dias” recebeu uma sessão especial em Curitiba nesta quarta-feira (10). O diretor Daniel Lieff trouxe o longa-metragem que conta a história de Felipe (Miguel Lallo), adolescente homossexual que vive a insegurança da orientação sexual e da gordofobia que sofre desde a infância. Ele descobre o primeiro grande amor em Caio (Diego Lira), vizinho que passa o período de duas semanas em sua casa, de férias.

Apesar dos temas espinhosos, o filme trata as situações com delicadeza, leveza e bom humor. O Portal Banda B teve a oportunidade de conferir o filme a convite da rede Cineplus, no Shopping Jardim das Américas, e de entrevistar o diretor da produção. A data de estreia para o público está prevista para a próxima quinta-feira (18).

Foto com os atores Miguel Lallo e Diego Lira, do filme "Quinze Dias". Os dois são adolescentes e aparecem sentados à uma cama, em um quarto colorido.
Filme “Quinze Dias” conta uma história de amor entre adolescentes em diálogo direto com os jovens. Foto: Divulgação

“Quinze Dias”: filme trata homossexualidade e adolescência com diversão

O longa é adaptado do livro de mesmo nome, um dos mais vendidos de 2017 no Brasil e traduzido para o inglês e o alemão. A obra de Vitor Martins ganha as telonas com o ritmo e os visuais que só o cinema pode proporcionar.

Apostando no público jovem, o filme se desdobra em referências a histórias em quadrinhos, interação de redes sociais, animes e até mesmo outros filmes. Todas essas jogadas, que refletem o interior do protagonista, se revelaram um desafio para o diretor, que encarou a obra original com grande responsabilidade.

“Adaptar um livro é sempre um desafio muito grande, ainda mais um livro como ‘Quinze Dias’, que tem muitos fãs. O livro é narrado em primeira pessoa. A gente entra na cabeça do Felipe, no livro. E como eu faço isso vir à tela? A gente chama de ‘viagens do Felipe’, com vários momentos em que ele ‘pira’ e entra em filmes, em épocas diferentes”

explica Lieff.

Essa mistura de referências não deixa de lado a originalidade do filme (e do próprio livro), mas aposta na conexão das gerações mais novas com obras como “500 Dias com Ela”, “Heartstopper” e até mesmo os filmes do espanhol Pedro Almodóvar, segundo Lieff.

“Acho que a gente [equipe da produção] viu muita coisa e, vamos dizer, tem um caldeirão de referências e acabamos entrando nele e saiu o filme. A gente bebe de muitas fontes variadas, mas a gente fez um filme original”

garante o diretor.

Confira o trailer do filme abaixo:

Adolescência e sexualidade postas à prova

O longa é narrado pela perspectiva de Felipe, de 16 anos, que vive à sombra do medo e da insegurança. Apesar de não esconder sua homossexualidade, ele se reprime pelo fato de ser gordo, ou “imenso”, como o próprio brinca. As piadas, aliás, são um dos pontos positivos do filme e da graça que o protagonista carrega ao longo da 1h40 de projeção.

Os traumas de infância atravessam os anos e perduram até a adolescência, quando o contato com Caio revela o lado confiante de Felipe. Ele é amparado e encorajado pela mãe, vivida por Débora Falabella, que contribui com o tom cômico sem abrir mão do afeto.

A complexidade dos personagens, apresentando com equilíbrio os dramas e os prazeres de cada um, foi um dos aspectos que mais chamou a atenção do realizador na adaptação.

“O que me interessa como cineasta e como realizador é ter histórias boas para contar, histórias que tenham relevância, histórias que tenham representatividade nas telas”

afirma.

Segundo Lieff, é do interesse dele “contar histórias que você possa sofrer, ter momentos mais densos, mas também momentos leves”. E isso se confirma com os altos e baixos vividos por Felipe e Caio, cada um com seus temores e desejos.

Trilha sonora de peso

Um dos pontos ressaltados por Lieff a respeito da produção foi sua trilha sonora. Incluindo nomes como Billie Eilish, Anavitória, Jão, Chico Chico, Duda Beat e mais, as faixas representam os grandes interesses do filme: identificação, leveza e amor.

“A trilha sonora é superimportante e diferente. Ela tem hits, várias músicas que inspiram e que acabam embalando um pouco essa história na tela”

cita o cineasta.

O uso de artistas pop e da chamada “nova MPB” reforça a complexidade artística do filme e o apelo aos mais jovens, contando uma história particular, mas ao mesmo tempo universal. Afinal, como diz a personagem de Débora, “qual adolescente nunca teve um coração partido?“.

Pré-estreia especial no Dia dos Namorados

A estreia comercial do filme está marcada para a próxima quinta-feira, mas algumas cidades do Brasil receberão sessões especiais de pré-estreia. Ao todo, 30 cinemas de 18 localidades exibirão “Quinze Dias” nesta sexta-feira (12), Dia dos Namorados.

Todas as cidades e redes de cinema selecionadas podem ser conferidas no link, onde também é possível comprar os ingressos.

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