A mãe de uma adolescente denunciou que a filha vem sofrendo importunação sexual de um aluno dentro do Colégio Estadual Professor Daniel Rocha, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), mesma instituição onde outro adolescente cortou o pescoço de um colega com um estilete.

Segundo o relato da mãe à Banda B, na segunda-feira (23) a escola realizou uma ação conjunta com psicólogos e a polícia, permitindo que alunos contassem sobre situações de risco. Foi nesse momento que a menina revelou que estava sofrendo importunação sexual por parte do colega.
A partir do depoimento, outros casos semelhantes envolvendo o mesmo estudante, de 16 anos, vieram à tona. Além disso, foi identificado que ele também foi o responsável por levar uma arma falsa à escola. A família registrou boletim de ocorrência contra o adolescente.
Vítima é perseguida por adolescente acusado de importunação sexual, diz mãe
A mãe ainda afirma que a filha é ameaçada e perseguida pelo adolescente. Ela também questiona como os pais e responsáveis conseguem ficar tranquilos sabendo que os filhos estão sendo sofrendo violência física e psicológia.
“As meninas precisam conviver com o agressor na mesma sala. A minha filha não consegue ir pra escola, o menino ameaça, persegue. Não é justo com elas. São vítimas, não podem conviver com o abusador no mesmo lugar”
desabafou a mãe.
Aluno já foi denunciado por injúria racial
De acordo com a mãe, os episódios de violência são frequentes no colégio. No dia 11 de março, uma aluna teria sido vítima deste aluno. Segundo o boletim de ocorrência, ao qual a Banda B teve acesso, ele teria chamado a menina de “macaquinha” e “negrinha”.
Porém, no dia 11, durante um breve momento em que não havia professor na sala de aula, o adolescente teria se aproximado da carteira da colega e desferido um tapa na cabeça da vítima, sem motivação aparente.
Arma de brinquedo dentro da escola mobilizou a PM
Na quarta-feira passada (18), este mesmo aluno teria levado uma arma falsa para a escola e ameaçado uma professora. A Banda B teve acesso a dois boletins de ocorrência sobre o caso.
Um B.O foi registrado na data do ocorrido, em um atendimento da Polícia Militar ao colégio, quando uma professora pediu ajuda aos agentes. O outro documento foi registrado no dia 23 de março, conforme orientado pelas autoridades.
Já na quinta-feira (19), ocorreu o ataque de estilete envolvendo outros dois alunos durante o período da noite. Logo após a violência, o autor da agressão fugiu, mas foi localizado pela Polícia Militar (PM) na própria casa e encaminhado à Delegacia de Pinhais.
Vítima não se sente segura no colégio
Apesar da gravidade dos fatos, a mãe afirma que as medidas adotadas pela instituição foram insuficientes. Em reunião com a direção, segundo ela, não houve solução concreta.
De acordo com informações repassadas pela denunciante, a escola alegou que não consegue transferir o aluno nem mudá-lo de turma neste momento. Com isso, as estudantes são obrigadas a conviver diariamente com o suposto agressor.
A situação tem causado impacto direto na rotina da vítima. De acordo com a mãe, a filha não consegue mais frequentar as aulas devido ao medo constante. Ela relata que o aluno ameaça e persegue as meninas dentro do ambiente escolar.
“Ele vem ameaçando as meninas. Sobre a minha filha, ele espalhou boatos que teria tido relação sexual com ela, ameaça, não deixa ela ficar dentro da sala. Quando ela levanta, ele levanta atrás. Quando ela vai ao banheiro, ele vai atrás. Ela está assustada!”
Outro ponto que gera revolta entre os pais é a informação de que o estudante só poderá ser transferido caso cometa uma nova infração.
“A única coisa que foi passado aos pais e responsáveis é que ele precisa cometer mais uma infração pra daí sim ser transferido”
afirma
Histórico do adolescente preocupa
A mãe ainda revelou que o aluno já cumpre medida socioeducativa por divulgar imagens íntimas de outra estudante. Ao todo, acumula, pelo menos, quatro boletins de ocorrência, segundo ela.
Diante desse cenário, a mãe faz um alerta contundente sobre o risco de novos episódios violentos. “Estamos de frente com uma tragédia anunciada, e ninguém está fazendo nada“, desabafou.
Aluno já fez outras vítimas
Uma outra mãe também relata dias de terror e até mesmo falta de sono por saber o que a filha tem sofrido e o suposto agressor continua frequentando a escola.
“Eles não fizeram nada até hoje. Minha menina também faltou uns dias de aula. Ela não é de faltar. Eu não consigo nem dormir à noite, pensando nisso, sobre ela estar correndo risco na escola porque não aconteceu nada. O menino viu que não aconteceu nada”
disse.
Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que o caso está sob investigação. “As partes serão intimadas para as oitivas em momento oportuno. Por envolver menores de idade, o procedimento corre sob sigilo“.
Em retorno a reportagem da Banda, a Secretaria Estadual de Educação do Paraná (Seed-PR) informou que está em contato com a direção do colégio, acompanhando o caso. “A equipe pedagógica da escola foi orientada a adotar as medidas cabíveis, conforme os protocolos da rede estadual de ensino, assegurando o acolhimento dos estudantes envolvidos, atendimento psicológico e o devido encaminhamento da situação”.
Veja a nota completa abaixo:
“Referente ao caso que ocorreu no Colégio Estadual Professor Daniel Rocha, o Núcleo Regional de Educação da Região Metropolitana Norte de Curitiba informa que está em contato com a direção do colégio, acompanhando o caso. A equipe pedagógica da escola foi orientada a adotar as medidas cabíveis, conforme os protocolos da rede estadual de ensino, assegurando o acolhimento dos estudantes envolvidos, atendimento psicológico e o devido encaminhamento da situação. O Núcleo reforça que todas as ocorrências dessa natureza são tratadas com seriedade e responsabilidade, seguindo os procedimentos administrativos previstos.”
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