O Ministério Público do Paraná denunciou Edison Brittes por ameaça e violência contra a ex-esposa, Cristiana Rodrigues, após dizer que “arrancaria a cabeça” dela, segundo a advogada que a representa. Preso desde 2018, o autor confesso pela morte do jogador Daniel Corrêa teria escrito cartas nas quais prometia matar a então mulher caso ela pedisse o divórcio.

Em uma das cartas obtidas pela Ric RECORD e atribuída a Edison, ele se declara à então esposa, afirmando ter tatuado o nome dela. Em um dos trechos, relata ter acreditado que o amor entre eles havia chegado ao fim, mas ressalta que tudo o que fez foi por Cristiana e pela família. No entanto, as palavras de carinho dão vez a ameaças de morte.

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Edison Brittes foi condenado a 42 anos de prisão e está preso desde 2018 — Foto: Banda B

“Não vou te julgar de uma noite de bebedeiras, e sim pelos 20 anos de sua postura exacerbada de esposa, mãe, mulher, pois você sempre foi certa em tudo, principalmente na nossa relação, pois, se não fosse, nem aqui você estaria mais! Você sabe muito bem que eu mataria você sem pensar 2x”, teria escrito Edison Brittes.

A revelação das cartas ocorreram após Edison acusar a ex-companheira de ser a mandante da morte do atleta. Edison Brittes Júnior foi condenado a 42 anos de prisão pelo assassinato do jogador, que foi encontrado degolado e com o órgão genital cortado em outubro de 2018, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Cristiana foi absolvida das acusações de homicídio qualificado e coação no curso do processo. No entanto, ela foi condenada pelos crimes de fraude processual e corrupção de menores, recebendo uma pena de 6 meses de detenção e 1 ano de reclusão, ambos em regime aberto.

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Cristiana Rodrigues afirma ter sido ameaçado de morte pelo ex-companheiro, Edison Brittes — Foto: Reprodução/Ric RECORD

Em outro trecho da carta, Edison diz que “faria tudo novamente” e pede perdão por ter magoado Cristiana. No entanto, ele volta a ameaçá-la: “Seu erro nisso custará sua vida. Juro pela minha filha!”

Já em outra carta, supostamente recebida por Cristiana em outubro de 2019 — cerca de um mês após a revogação de sua prisão preventiva e o início do monitoramento por tornozeleira eletrônica —, Edison teria expressado alegria ao saber que ela havia retirado o equipamento “e os meninos terem saído”. Após expor sentir saudade da então esposa, ele a ameaça.

“Espero que você esteja bem e me respeitando como você diz que sempre ‘fez’, pois não quero ter que matar você. Pois, se eu souber de alguma atitude sua errada, qualquer uma, a menor que seja, eu mesmo mato você. Por isso, te peço: cuida, vigia e me respeite. Não dê chance pro azar”, diz outro trecho.

Carta atribuída a Edison Brittes.

Em maio, a defesa de Cristiana chegou a dizer que ela resolveu se separar do então companheiro devido às ameaças de morte que estava recebendo. Lizandra Assis confirmou à Banda B que Edson teria ameaçado “arrancar a cabeça de Cristiana”. O “recado” teria sido mandado à ex por meio do pai dela, que foi visitá-lo na prisão.

O que dizem as defesas

Cristiana Rodrigues

Procurada pela Banda B, a advogada Lizandra Assis, que representa Cristiana Rodrigues, afirmou que as ameaças de Edison não se limitaram às cartas, mas também foram transmitidas por pessoas que o visitavam na prisão. “Diante disso, decidimos comparecer à delegacia para registrar boletim de ocorrência, a fim de que o Estado assuma seu papel na proteção da integridade de Cristiana, que mais uma vez se vê na condição de vítima”, disse a advogada.

Atualmente, há medida protetiva decretada em desfavor de Edison. “A denúncia já foi oferecida pelo Ministério Público e aguardamos a audiência de instrução e julgamento. A verdade é que Cristiana não deseja mais ver seu nome exposto na mídia. Ela almeja paz — e é disso que verdadeiramente necessita e merece”, acrescentou a defensora.

Segundo ela, “se algo vier a acontecer a essa mulher, a responsabilidade recairá sobre uma única pessoa”.

As defesas, em nome de Allana, Amanda e Edison Brittes afirmam que estão prontas para desmentir todas as falsas acusações feitas por Cristina e sua advogada, que serão inclusive testemunhas no processo cuja denúncia foi oferecida e que se veiculou a presente notícia.

Edison Brittes

Já a defesa do denunciado, Edison Brittes, disse à reportagem que a denúncia está relacionada a “fatos pretéritos” e que estes “não condizem com a realidade atual”. Segundo Clarissa Taques, o envio das cartas foi feito há mais de cinco anos.

“Entendemos que a atitude nada mais foi do que uma resposta às acusações que foram feitas pelo acusado à pessoa da vítima quando da entrevista fornecida para o documentário Doc Investigação, na tentativa desesperada de se defender e também de prejudicar Edison [sic]”, diz um trecho do posicionamento.

De acordo com a advogada, as providências cabíveis estão sendo tomadas, “principalmente no intuito de demonstrar a inverdade dos fatos aduzidos pela vítima”.

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