Curitiba se despediu, nesta sexta-feira (25), de três heróis silenciosos, mas que provocaram um impacto gigante nas vidas que ajudaram a salvar. Em uma solenidade marcada por lágrimas, aplausos e gratidão, os sargentos Cordeiro, Machado e Clodemar encerraram suas jornadas no Corpo de Bombeiros do Paraná. Mais do que colegas, eles são parte viva da história da corporação – e agora, da memória de toda uma cidade.

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Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

O tom solene do evento foi suavizado pela emoção visível no rosto de cada presente. Para o tenente-coronel Gerson, comandante do batalhão do Corpo de Bombeiros que os sargentos trabalhavam, não foi apenas mais uma cerimônia de despedida.

“Eles fazem parte da minha história, porque como cadete na Academia Militar, eu estagiei muitas vezes, trabalhando juntamente com eles, aprendendo junto com eles, aproveitando a experiência deles de campo, e hoje estar aqui como comandante, nesse momento que é importantíssimo para eles, diante de tudo que eles deram para sociedade, agora nós devolvemos eles para a sociedade civil, para que eles possam aproveitar esse momento da vida deles, da carreira deles, junto de seus familiares, que muitas vezes ficaram sem a presença deles”

comentou o tenente-coronel Gerson.

Gerson destacou que o momento também é de acolhimento. “Eles continuam fazendo parte do Corpo de Bombeiros, da história do Corpo de Bombeiros e da nossa história”

Missão cumprida com orgulho

Entre os três novos aposentados, dois deles, Cordeiro e Machado, consagraram também um número: 35 anos de serviços prestados. Para o sargento Cordeiro, ao lembrar de tantos momentos vividos, a emoção tomou conta.

“Foram 35 anos representando os bombeiros e tentando fazer o melhor pela população. Acredito que fiz tudo com muito amor, com muito carinho, com muita dedicação. Muito triste por acabar esse ciclo, porque por mim eu gostaria de ficar mais alguns anos aí. Mas feliz por tudo que a gente fez, por tudo que a gente participou, por todas as pessoas que a gente conseguiu ajudar. A gente vê uma pessoa que ajudou feliz, até pessoas dentro da corporação que a gente socorreu, é uma gratificação muito grande”

disse o sargento Cordeiro.

Já para o sargento Machado, “as lágrimas são a melhor mensagem”. O bombeiro fez do trabalho o cenário de um amor para a vida toda: conheceu sua esposa durante uma ocorrência. Hoje, pai de dois filhos, carrega no coração a sensação de missão cumprida.

“É muito emocionante mesmo, né? Eu tenho que agradecer. É com tristeza, mas uma tristeza com alegria junto, né? Até me emocionei ali no momento da despedida, fiquei sem palavras, realmente. Mas as lágrimas são, acho que é a melhor mensagem para agradecer a todo o pessoal que apoiou, que esteve presente nesse momento”

destacou o sargento Machado.

Com um sorriso discreto e olhar de saudade, Machado completou que, mesmo a vida seguindo, ele não vai “abandonar o barco”. 

“A vida segue, mas a gente tem que agradecer a tudo que já passou. A gente vai sentir muita saudade, mas as portas vão estar abertas, sempre para fazer aquela visita. E a gente vai estar acompanhando as notícias pelo rádio, pela TV”

comentou Machado.

Gratidão define 

O sargento Clodemar dedicou 29 anos ao serviço da população paranaense. Com fala firme e olhar nostálgico, relembrou sua trajetória como uma missão cumprida.

“Muito orgulho de participar dessa corporação aqui dos bombeiros do Paraná. Trabalhei sempre auxiliando a população no que precisava. Foram muitos incêndios, enchentes e tudo. Uma missão cumprida com muito orgulho. Sou muito grato a tudo”

disse o sargento Clodemar.

Para ele, a gratidão é o sentimento que fica. Uma carreira repleta de desafios, superações e, principalmente, de humanidade.

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Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

Obrigado!

A despedida dos três sargentos é mais do que a conclusão de uma carreira. É o fim de um ciclo que se confunde com a própria história do Corpo de Bombeiros do Paraná. Com uniformes marcados pelo tempo e corações cheios de lembranças, Clodemar, Cordeiro e Machado deixam um legado de bravura, companheirismo e amor à profissão.

Eles agora voltam ao convívio de suas famílias – aquelas que tantas vezes dormiram sem saber se veriam seus heróis retornar no dia seguinte. E para a população de Curitiba, fica a certeza de que homens como eles moldam, silenciosamente, o verdadeiro significado de servir.

Que essa aposentadoria seja, para eles, o início de uma nova etapa tão nobre quanto a anterior. E que a chama do exemplo que deixaram continue acesa nos corações dos que ainda vestem a farda vermelha.

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Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

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