Foram 463 longos dias de espera e ansiedade, mas, enfim, o atacante Alef Manga voltou a vestir a camisa do Coritiba. E nem nos melhores cenários ou roteiros o jogador poderia esperar um retorno tão triunfante, para marcar de vez esta nova etapa. Foram apenas quatro minutos entre ele pisar no gramado e sair para o abraço para comemorar o gol do 3×1 sobre o Amazonas, no último domingo (13), no Couto Pereira.
Pela primeira vez relacionado para uma partida desde que cumpriu os 360 dias de suspensão, por ter se envolvido no esquema de apostas, Manga, antes de a bola rolar, já sentia o ambiente favorável no estádio, com os torcedores o incentivando. Situação que aumentou ainda mais no segundo tempo, quando o Coxa fez 2×0 e estava com a vitória encaminhada. Os gritos pedindo o camisa 11 só aumentaram.
Aos 34 do segundo tempo, Jorginho chamou o camisa 11 e também Robson para entrarem em campo. No primeiro lance, já foi ovacionado ao driblar os adversários. E aos 38, veio a explosão do estádio quando o atacante recebeu passe açucarado de Vini Paulista e, de primeira, chutou na saída do goleiro e saiu comemorar o gol em meio a uma mistura de alegria, choro e a sensação de que o pesadelo acabou.
“Quero agradecer à torcida, meus companheiros de trabalho, que me deram essa oportunidade, ao clube, diretoria… Quero ajudar meus companheiros, temos condições de conquistar o acesso e estou muito feliz. Estes dez meses foram de muito aprendizado, reflexão, mas também muito aprendizado. Fui abençoado por esse gol”, afirmou Manga, em entrevista ao Premiere, na saída do gramado.

Jorginho, a cobrança de “pai para filho” e o agradecimento de Manga
Assim que o gol saiu e Manga correu comemorar, a transmissão da partida focou no técnico Jorginho, que abriu um largo sorriso e balançava a cabeça como quem não acreditava no que estava vendo. Desde que a suspensão do atacante acabou, o treinador sempre foi taxativo a respeito da volta aos gramados, cobrando postura fora de campo e também rendimento nos treinos.
“Eu particularmente estou muito feliz por ele. Falei dentro do vestiário e quero dizer aqui também. Muitos aqui são pais e se um filho de três, quatro anos, te pedir uma faca, você não vai dar para ele. Quando a gente repreende, é porque amamos. Poucos são os pais que estão repreendendo seus filhos. No meu caso, eu amo o futebol e amo o futebol do Manga, o jeito que ele joga. Tive o prazer de ter saído do meu espaço para ir aos jogadores. Foi um gol extremamente importante”, ressaltou ele, que, na comemoração, abraçou efusivamente o atleta, que também foi muito celebrado por todo o elenco.
Cobrança que o próprio Alef Manga admitiu ter merecido e agradeceu a forma como Jorginho lidou com toda a situação, principalmente a preparação para poder voltar a jogar.
“Agradecer ao Jorginho pela oportunidade. Sei da gravidade, prejudiquei o clube, mas me identifiquei com o Coritiba e quero me entregar ao máximo e ficar aqui. Achei que não ia mais jogar, mas tenho que agradecer muito ao clube pela oportunidade. Na hora do gol, o Jorginho me abraçou, ele disse que sabia que eu faria o gol. Foi uma preparação de duas semanas, antes eu não tinha condições de jogar. Tudo é no tempo certo”, acrescentou o atacante.
Tempo perdido e luta do Coritiba pelo acesso
Mais do que o treinador, o elenco se mostrou muito receptivo a Manga. Tanto é que todos correram em direção a ele para comemorar, dividindo a mesma emoção que contagiou a arquibancada.
“Em nenhum momento algum atleta do elenco foi contra (o Manga voltar). Eu sempre falei que contava com ele e todo o grupo foi consultado e todos estavam sempre apoiando ele. Essa alegria contagiante foi por um comportamento muito bom do Manga, principalmente nas duas últimas semanas. Em todos os momentos víamos os atletas conversando com ele. É um grupo consciente do erro do atleta, do perdão do clube, todo um trabalho. E a galera gosta dele, é um cara extrovertido”, destacou o comandante alviverde.

Agora, restando sete rodadas para o término da temporada, Alef Manga quer resgatar o seu espaço na equipe de vez. Ainda sem estar 100% fisicamente, terá que correr contra o tempo para estar à disposição por mais tempo.
“Eu sei o quanto ele sofreu esse tempo todo, ele reconheceu o erro e agora temos que recuperar o tempo perdido e sabemos o potencial dele. A outra coisa é que tenho muita experiência de vida, como atleta e treinador. Não podíamos ser irresponsáveis de simplesmente colocar o Manga em qualquer momento. Foi o momento ideal, pois sabíamos que ele ia cansar. Se colocássemos ele em campo semana passada, seriam sete dias a menos de treinos. Vocês não têm ideia da diferença que foi o treinamento dele”, apontou Jorginho.
O certo é que o jogador estará à disposição nesta reta final de segunda divisão e quer dar o acesso à elite para a torcida como uma maneira de compensar o erro cometido no passado.
“Tenho uma dívida com a torcida e vou sempre dar o meu melhor. Acredito, sim, que vamos conseguir o acesso. São sete jogos, mas é trabalho, todo mundo aqui está trabalhando duro todos os dias. Depois desse jogo, todos têm que ter essa esperança. É difícil, mas vamos nos entregar e lutar”, completou Manga.

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