Um dia ele precisou que médicos olhassem por ele e fizessem de tudo para salvá-lo. Atualmente é ele quem retribui o que recebeu, em forma de dedicação a outras pessoas. Nesta quarta-feira (18), Picasso Rodrigues celebra o primeiro Dia do Médico de sua carreira, com gosto especial de superação de um drama pessoal e a reafirmação da profissão que escolheu para a vida.

Foto: Joseane Negosek/SMS.

O profissional, de 52 anos, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba, dá ainda mais valor ao “status” de médico. Em 2010, quando vivia em Maringá, no Norte do Paraná, precisou e muito do atendimento de toda uma equipe médica.

Picasso Rodrigues foi vítima de um assalto e foi agredido. Gravemente ferido, ele foi abandonado em um canteiro de obra. O rosto estava desfigurado, com um quadro de politraumatismo facial que mostrava a violência do ataque. 

Internado, ele foi submetido a 22 cirurgias. Ao todo, Rodrigues passou três meses no hospital. 

Quando recebeu alta e estava recuperado, ele entendeu o que queria para a vida. Aos 39 anos, na época, foi atrás do sonho de infância. Rodrigues dá a impressão de que não se incomoda em tocar no assunto.

“Isto poderá ajudar outras pessoas a perceberem que, por pior que as coisas estejam, há como mudar e ressignificar nossas vidas”

afirma o médico.

Transferência para Curitiba

Foram anos de preparação e mudanças de cidade, até ser transferido para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba, em 2018. Além dos conhecimentos, foi ali, na residência em otorrinolaringologia, que Picasso Rodrigues recuperou parte de sua autoestima: passou por uma longa cirurgia de reconstrução facial, em 2022.

Formado no final do ano passado, o médico fala com orgulho de sua rotina. 

“Na unidade de saúde, atendo a todos os públicos, há muitos idosos com hipertensão e diabetes. Nas Upas, atendo urgências e emergências, área na qual estou me especializando”

conta o médico.
Foto: Joseane Negosek/SMS.

Histórias e gratidão

Mesmo com pouco tempo na profissão, o médico já coleciona histórias para contar. Um desses casos aconteceu na Santa Casa de Palmeira. 

“Uma moradora de Curitiba viajou para Foz do Iguaçu com 39 semanas de gestação. Na volta, entrou em trabalho de parto no ônibus. Levada para o hospital, avaliei que não havia tempo para ela seguir até Ponta Grossa. Fiz o parto. O menino se chama Enzo”

relata Rodrigues.

As sequelas da agressão que sofreu continuam com ele, que perdeu parte da audição do ouvido esquerdo e da visão. O olfato e o paladar se foram. Mas as dificuldades não parecem abalar sua convicção. 

“Nada teria sentido se eu não fosse médico […]. Sinto que estou no meu lugar”

conclui.

Feliz Dia do Médico!

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