A Rodoviária de Curitiba completa 50 anos no próximo domingo (13), consolidada como um marco da cidade e como o maior terminal rodoviário da região Sul. Como parte da comemoração, os mil primeiros passageiros que embarcarem por lá serão presenteados com bombons. É uma forma doce de homenagear quem faz essa grande engrenagem funcionar.

Vista geral da Rodoviaria de Curitiba, administrada pela URBS. Foto: Daniel Castellano/SMCS.

Por dia, passam pelo local cerca de 20 mil pessoas (passageiros, funcionários, prestadores de serviços e turistas), número superior à população de muitas cidades do Paraná. Este número é maior, por exemplo, do que a população de Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que tem 18 mil habitantes.

Pelos corredores da Rodoviária há muita história para contar, como a do funcionário mais antigo, José Felix de Oliveira, de 67 anos, que começou a trabalhar aos 19 anos no terminal.

“Eu vi a ‘Rodo’ crescer, vi as mudanças tecnológicas. Sou do tempo em que as portas dos ônibus não eram automáticas, os veículos não tinham ar condicionado. Hoje parecem um hotel, com dois andares, wi-fi”.

lembra José Felix de Oliveira
José Felix é o funcionário mais velho da rodoviária. Foto: Divulgação.

Em tantos anos de trabalho, ele coleciona memórias curiosas, como a do passageiro atrasado que se agarrou no para-choque para não perder o ônibus.

“A Rodoviária é um lugar de chegadas e partidas e cada passageiro tem uma história de vida por trás da viagem. É por isso que gosto tanto daqui e vou continuar até quando a saúde me permitir”.

completa o funcionário mais antigo

A Rodoviária também tem história de famílias de empreendedores. Claudia Nicolau cresceu nos corredores e entre o vaivém de passageiros. O pai abriu a primeira lanchonete quando o terminal foi inaugurado, em 1972. “Eu tinha 8 anos na época, vivi minha infância aqui”, diz ela, que hoje administra duas lanchonetes na praça de alimentação.

O irmão e uma sobrinha também tem negócios na Rodo. “Somos a segunda geração e a terceira já está trabalhando também”, diz ela, ao mostrar o filho João, de 18 anos, que a ajuda no trabalho das lanchonetes.

“Aqui o serviço não para, funciona 24 horas e hoje temos uma estrutura com 20 funcionários para atender o movimento. Nossa famíllia e a história da Rodoviária se completam”.

comentou Claudia Nicolau
Cláudia diz que sua vida se mistura com a história da rodoviária. Foto: Daniel Castellano/SMCS.

Referência

Em meio século existência, o terminal curitibano se firmou como um dos melhores do Brasil, referência para outras capitais.

“A Rodoviária de Curitiba é reconhecida como uma das mais eficientes do país. Nos últimos anos, com a revitalização, o terminal foi modernizado, atraindo novos empreendedores e comércio, trazendo mais conforto para os passageiros e novidades tecnológicas”.

diz Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs, responsável pelo gerenciamento da Rodoviária

Nessa minicidade, que funciona 24 horas por dia durante o ano todo, são cerca de 300 viagens por dia, com 6,5 mil embarques e 6 mil desembarques das 33 empresas que atuam no terminal, incluindo duas internacionais (Crucero Del Norte e Chile Bus).

São 72 mil metros quadrados de área total, sendo 27 mil de área construída onde funcionam 23 guichês de atendimento, 12 lanchonetes, praça de alimentação com mais três lanchonetes, duas salas VIP, cinco comércios de variedades.

A estrutura conta ainda com lotérica, posto de atendimento bancário, gerenciamento de vários serviços, turismo ferroviário, Casa da Acolhida e do Regresso, Posto da Guarda Municipal, postos do DER (Departamento de Estadas e Rodagem) e e ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Foto: Divulgação/Arquivo.
Foto: Daniel Castellano/SMCS.

História da rodoviária de Curitiba

Projetado pelo arquiteto Rubens Meister, o complexo foi construído às margens da avenida Presidente Affonso Camargo dividido em três alas – interestadual, estadual e ferroviária -, além do prédio central, em formato de cubo, hoje ocupado pela direção da Urbs.

O complexo da Rodoviária de Curitiba foi um marco na arquitetura e infraestrutura rodoviária na cidade, com um total de 50 plataformas – 25 na ala interestadual, e outras 25 na ala estadual. Até então, o Terminal Guadalupe, na Rua João Negrão, inaugurado em 1958, era o ponto de chegada e saída de ônibus rodoviários.

Revitalizada para a Copa do Mundo de 2014, a Rodoviária ganhou obras no entorno e melhorias, como o acesso ao embarque através de equipamentos “catracas”, com leitores de códigos de barras e de QR code, lembra Élcio dos Anjos, administrador da Rodoviária.

Foto: Daniel Castellano/SMCS.

Os saguões de espera foram equipados similares aos modelos adotados em salas VIP, com poltronas modernas e confortáveis e ainda, climatizadores que mantém o ambiente com temperaturas agradáveis.

“Estas melhorias, além da contratação e aumento do número de vigilantes, fez crescer a confiança dos passageiros em utilizar os serviços prestados pela rodoviária”.

ressaltou Élcio dos Anjos

Esta confiança se refletiu na movimentação de passageiros. Mesmo diante da migração para outras formas de deslocamento, dentre eles aplicativos e veículos particulares, o movimento se manteve (com exceção do período de pandemia de covid-19), na casa dos 6 milhões de passageiros por ano.

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