A vereadora Ana Maria (PT) de Ponta Grossa, presa na noite de quarta-feira (2), acusada de forjar o próprio seqüestro, saiu do hospital e foi encaminhada à delegacia do município para prestar depoimento. A expectativa é que ela explique os motivos que a levaram a desaparecer e abandonar a sessão que daria posse à Mesa Executiva da Câmara de Vereadores no dia 1º.

Em entrevista à Banda B, o delegado-chefe do Grupo TIGRE, que investigou o suposto seqüestro, Luiz Alberto Cartaxo, disse que tudo foi planejado de forma muito primária. “Ela simulou o próprio seqüestro a fim de evitar o voto para a mesa da Câmara e, quando se apresentou no hospital, já sabíamos do envolvimento dela e foi decretada a prisão. Já vi muitas coisas nesses meus 30 anos de polícia, mas um seqüestro forjado com fundo político foi a primeira vez. Foi tudo inusitado e planejado de uma forma primária, que chega a impressionar”, afirmou.

Cartaxo disse que o golpe começou a ruir quando a polícia rastreou de onde veio o telefonema que a vereadora fez para o filho dizendo que estava bem. “Vimos que o telefonema veio do telefone do irmão do motorista dela. Imediatamente, conseguimos a prisão dele, da esposa, do irmão e de mais um primo, o Reginaldo Nascimento”, explicou.

Segundo o delegado, a princípio, todos afirmaram que se tratava mesmo de um seqüestro. “O motorista chegou a rasgar a própria camiseta, furar o pneu com uma chave de fenda, retirar uma peça para o carro não funcionar, mas na delegacia, quando falamos para a mulher envolvida que ela já estava com a prisão decretada e não veria mais os filhos, ela se desesperou e contou toda a verdade. Daí a casa caiu”, disse Cartaxo.

Outros envolvidos

O caso está sendo investigado agora pelo 13º distrito policial. Segundo Cartaxo, o delegado responsável deverá ter novos detalhes em breve. “As investigações continuam por que tem mais coisas para ver lá, novos elementos devem surgir com a possibilidade de haver mais gente envolvida, além de outros interesses. É preciso saber por que ela simplesmente não apareceu para votar”, completou o delegado do Tigre.

Partido dos Trabalhadores

Até o momento, ninguém do PT se manifestou sobre o caso. O presidente estadual do partido, o deputado Ênio Verri, disse ao G1 que a Executiva não vai se posicionar em relação ao caso. “A executiva estadual só se manifesta após o diretório municipal tomar alguma providência. Por enquanto, não temos nada a declarar sobre o caso”, afirmou.

O caso

Ana Maria, que foi eleita para o terceiro mandato nas eleições de outubro de 2012, sumiu por volta das 18h depois de sair do Cine Teatro Ópera, onde foi realizada a cerimônia de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito eleitos. Do teatro, ela deveria ter ido para a Câmara Municipal para participar da eleição da Mesa Diretora, mas não apareceu. A ausência da vereadora acabou suspendendo a votação. Alguns parlamentares se negaram a dar início à eleição, sem a presença da colega.