Por Luiz Henrique de Oliveira

O torcedor do Coritiba, Krystofer Martins Salvador Lopes, de 20 anos, foi absolvido pela Justiça, nesta terça-feira (3), pela morte do estudante e torcedor do Atlético-PR, João Henrique Mendes Xavier Vianna, de 21. O crime aconteceu em 2009. Lopes dirigia o carro dele quando atropelou e matou Vianna, além de ferir outro torcedor, no cruzamento das Ruas Desembargador Westphalen e Engenheiros Rebouças, logo após um Atletiba, que aconteceu no Couto Pereira, válido pelo Campeonato Brasileiro. A Juíza Michele Pacheco Cintra entendeu que no caso houve inexigibilidade de conduta diversa, ou seja, a atitude do jovem foi justificada pelo risco a que ele estava submetido, cercado por torcedores rivais.

O advogado criminalista Elias Mattar Assad, que atuou na defesa no julgamento, que aconteceu na 1° Vara do Tribunal de Juri de Curitiba, contou que Lopes estava sendo acusado de homicídio com dolo eventual, quando há a intenção de matar. “O júri entendeu que não se tratava de crime doloso, mas sim de homicídio culposo, quando existe imprudência. Essa decisão fez com que o caso saísse do Júri Popular e a decisão fosse para a Juíza”, iniciou Assad

De acordo com o criminalista, a Juíza absolveu totalmente o acusado, devido à inexigibilidade de conduta diversa. “Isso é explicado da seguinte forma. Você no lugar do acusado teria agido de outra forma? Se a resposta fosse sim, a conduta não estava justificada, mas a juíza entendeu que não, que faria da mesma forma, o que justificou a conduta dele”, complementou à Banda B.

Assad fez questão de relembrar o caso e explicar a tese da defesa. “O Coritiba tinha vencido o Atletiba por 3 a 2 e ele e outras pessoas estavam dentro de um carro comemorando, quando cruzaram com torcedores atleticanos, que foram para cima deles. O Lopes fez uma manobra e acabou matando um rapaz e ferindo outro. Ele estava em uma situação de risco e não restou outra atitude a não ser tentar fugir”, descreveu.

Lopes chegou a ficar preso depois do crime. Na época, ele se recusou a fazer o bafômetro e também não ficou no local do atropelamento para prestar esclarecimentos. “Essas questões não são tratadas na esfera criminal, mas ele foi absolvido de ambas. Na primeira, por não ter sido comprovado a embriaguez e, na segunda, porque se ele ficasse lá poderia até ser morto, o que justificou a conduta”, concluiu o criminalista.

O Ministério Público pode entrar com recurso contra a decisão da Juíza.