Por Denise Mello 

Uma das postagens com ameaças

Ao acordar na manhã deste domingo (29), a vida do taxista Claiton Fernandes de Andrade, de 41 anos, se transformou num inferno. Ele recebeu a ligação de um amigo dizendo que o nome dele, o endereço e vários detalhes de sua vida pessoal e da família estavam sendo divulgados em diversos grupos fechados do aplicativo Uber. Andrade recebeu as cópias das postagens e descobriu que estava sendo apontado como um taxista que ataca motoristas do Uber, inclusive com uso de armas. “Levei um susto. De repente, vi que meu nome e a minha foto, que pegaram do site da Urbs, estavam espalhados em vários grupos, inclusive com detalhes como o meu endereço e o da minha mãe, o chassis, a placa do meu carro, minha foto, o ponto que trabalho, tudo nestes grupos de Uber. E eles dizendo que  ataco motoristas do aplicativo usando até arma. Um absurdo, não fiz nada contra ninguém e vejo minha vida virar um inferno”, diz o taxista, que procurou a Banda B e fez questão de ter seu nome identificado na reportagem.

As postagens enviadas à Banda B, com prints de post que circulam em grupos fechados do facebook e também no Whatsapp, mostram detalhes da vida de Claiton e fazem ameaças com frases como : “Vamos na caça dele” – “Vou meter a quadrada na boca dele” – “Que horas esse porco fica no ponto?”, entre outras postagens.

Uma delas diz: “Este taxista mau caráter usa uma arminha Airsoft para quebrar o vidro de qualquer Uber que passe em frente ao Madalosso”, se referindo à região de Santa Felicidade, em Curitiba.

Por conta disso, o taxista chegou a ser abordado por policiais militares na região do bairro Mercês. “Eles foram educados e verificaram que não havia nada em meu carro”, afirmou.

Queixa na polícia

Postagens com ameaças ao taxistas

Claiton Andrade disse que foi até o 8º Distrito Policial neste domingo, mas foi orientado a registrar um Boletim de Ocorrência na Nuciber, da Polícia Civil do Paraná, Núcleo de Combate aos Cibercrimes, em Curitiba. Ele disse que entregou todo o material com as ameças à polícia e também registrou uma ata notarial, em cartório, com toda a situação. A Delegacia deve investigar a denúncia.

O taxista garante que nunca agrediu ou se envolveu em confusão com motoristas do aplicativo. “Nunca tomei nenhuma atitude, nem discuto. Isso sobre o Uber é com o poder público, não é o taxista que tem que resolver. Nunca briguei, discuti, não tem motivo pra essa perseguição. Não sei o que está acontecendo não só comigo, mas com muitos colegas taxistas que relatam que também estão sendo perseguidos”, completou.

Uber

A Banda B entrou em contato pela manhã com a assessoria da empresa Uber, em São Paulo. O assessor pediu para que mandássemos os prints dos posts que, supostamente teriam sido publicados por motoristas do Uber. A empresa informou que iria analisar o material para ver se os nomes que aparecem nas postagens sejam mesmo de motoristas do aplicativo. Até o fechamento desta reportagem, ainda não havia retorno da assessoria.