Da redação com CMC

O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), André Gutierrez, afirmou que a Polícia Civil não fará mais a escolta de presos. A declaração foi feita na na tarde desta segunda-feira em audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). Segundo ele, um ofício referente à decisão será encaminhado ao delegado-geral da corporação, Riad Braga Farhat, e à Polícia Militar.

“O problema não é novo. Temos aescolta-presos-090913-bandabção civil pública quanto à guarda de detentos”, disse, em referência à morte do superintendente da Delegacia de Campo Largo, Marcos Gogola, na última quinta-feira (5), quando escoltava um preso ao dentista. Dados apresentados pelo Sinclapol indicam que as delegacias abrigam 10,5 mil presos, mas teriam vaga para 2 mil. “Há policiais civis nomeados que jamais trabalharam na investigação. Existe uma ilegalidade constante nas delegacias”, afirmou Gutierrez.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania e Segurança Pública da Câmara Municipal, vereador Chico do Uberaba (PMN), destacou que o objetivo do debate na Casa é elaborar a Carta de Curitiba, um pacto que será encaminhado às autoridades competentes. Ele declarou que Gogola foi “brutalmente morto no cumprimento de sua disfunção”.

André Gutierrez destacou a presença dos agentes penitenciários na audiência pública e disse que, para resolver o problema, são necessárias mudanças estruturais. “Precisamos de mais presídios, mais agentes, pessoal para a escolta de presos”, exemplificou. Ele também criticou, dentre outras questões, o posicionamento da secretária estadual da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, e do Ministério Público do Paraná (MP-PR) quanto aos pedidos referentes à “guarda irregular” dos presos. “A Lei de Execução Penal não é cumprida no Paraná”, finalizou.