Redação com Estadão

Exército nas ruas de Vitória – Foto: EBC

A sede da Rede Gazeta, na Ilha de Monte Belo, em Vitória, foi atingida por quatro tiros durante a madrugada. Eles foram disparados em direção a um auditório que serve como local de reuniões e eventos. Ninguém estava no local no momento dos disparos.

Os tiros atingiram as vidraças que ficam voltadas para uma das ruas do entorno da Rede Gazeta. Seguranças da empresa fizeram uma ronda pelo prédio e encontraram os cartuchos deflagrados. Eles eram de um armamento calibre “.40”.

Em entrevista ao telejornal Bom Dia ES, da própria emissora, o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia, afirmou que as balas serão encaminhadas para perícia e poderão ser rastreadas caso tenham sido disparadas por armas que pertencem às forças de segurança do Estado.

A crise na segurança pública chega ao sexto dia nesta quinta-feira. A movimentação de pessoas nas ruas é pequena. Os ônibus urbanos, que chegaram a circular com frota reduzida no início da manhã, foram recolhidos às garagens por volta das 8h30 por determinação do Sindicato dos Rodoviários. Carros particulares e a frota de táxi trafegam normalmente pelas principais vias da cidade.

Até o fim da tarde desta quinta-feira, mais 650 homens do Exército e da Força Nacional de Segurança devem chegar ao Estado, elevando o contingente para 1.850. O governo estadual informou que são necessários pelo menos 2 mil homens para fazer a segurança em todo o Espírito Santo. Em circunstâncias normais, esse é o contingente diário apenas na Grande Vitória.

Depois de ficarem parados na quarta-feira, 8, os ônibus voltaram a circular parcialmente nesta quinta na Grande Vitória. Apenas as linhas troncais, que ligam os terminais rodoviários – são dez no total -, estão funcionando. Alguns desses terminais, porém, ainda estavam sem movimento por volta das 9h. Sem a presença de soldados do Exército nos locais, alguns motoristas se recusam a iniciar as viagens. As linhas funcionarão em horário reduzido, até às 18h.

As aulas seguem suspensas, e o comércio funciona parcialmente. A situação é um pouco melhor do que aquela vista no início da semana, mas a população ainda está com medo. Mesmo com o reforço na segurança com tropas federais, o patrulhamento nas ruas é pequeno.

Segundo o secretário André Garcia, a situação “está melhorando”, mas admitiu que sensação de insegurança deverá perdurar por mais alguns dias.

“Mesmo com a presença da Polícia Militar (após o fim da paralisação), vai haver essa sensação de insegurança”, afirmou. “A Polícia Militar vai precisar recuperar a sua imagem, que foi jogada na lama.”