Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

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Agora, polícia quer saber se alguém poderia estar envolvido de maneira indireta no crime. Foto: AN/Banda B

O apartamento da família Federizzi foi o primeiro local onde os peritos e investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) iniciaram a reconstituição do crime contra o policial militar. A ré confessa pela morte do marido Ellen Homiak Federizzi participa da ação e está sendo escoltada por policiais civis e acompanhada por peritos e investigadores. O passo a passo começou por volta das 9h30. Para o delegado responsável pelo caso, Fábio Amaro, não há dúvidas de que a cabeleireira agiu sozinha, efetivamente no dia do crime.

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Ellen carregando a mala para dentro do carro. Foto: AN/Banda B

Assim que Ellen desembarcou de um carro oficial, vestindo camiseta de cor laranjada padrão de penitenciária e calça cinza, foi recebida aos gritos de ‘assassina’, vindo dos próprios moradores do condomínio. Todos ps envolvidos na reconstituição subiram ao apartamento da família que é pequeno, com dois cômodos, e tem cerca de 50m2. Os detalhes e o vídeo gravado no local serão disponíveis à imprensa, segundo o delegado responsável.

Somente por volta das 10h20, o grupo responsável pela reconstituição, juntamente com a Ellen, desceu ao estacionamento. Ela carregou a mala em direção ao carro da família e teve dificuldade para colocá-la no banco. Apesar de o peso ser exato ao do dia do crime, Fábio Amaro explicou à imprensa que a mala comprada por ela era mais rígida, com um material mais forte, o que possibilitou melhor agilidade com o objeto.

“Essa mala não é igual ao que a Ellen comprou aqui na região, aquela mala que ela usou é semelhante, mas mais frágil. A mala dela era mais rígida, o que propiciou, segundo ela, colocar dentro do automóvel de forma mais rápida e eficaz. O peso era exatamente o mesmo que os técnicos do IML e da Criminalística apontaram como sendo o tronco da vítima. Agora iremos até o local da desova para que possamos alinhar nossa investigação e, se porventura, exitem outros pontos necessários para se aclarar para o Judiciário”, contou Amaro.

Para ele, não há dúvidas de que Ellen matou, serrou e enterrou o corpo do marido sem ajuda de terceiros. “É um apartamento muito pequeno, a modo de que se tivesse uma terceira pessoa seria facilmente vista pela criança.  Não tenho dúvida alguma de que ela agiu sozinha”, disparou.

Pouco antes das 11 horas, o grupo se encaminhou ao município de Araucária, na região metropolitana. Lá, Ellen enterrou, em duas partes, o corpo do marido.

Investigações

A DHPP teve autorização judicial de quedra de sigilo telefônico e fiscal da família, nesta quarta-feira (24). Embora não haja dúvidas quanto à participação exclusiva de Ellen no dia do crime, Fábio Amaro quer saber se alguém poderia estar envolvido de maneira indireta.

“Essas investigações serão feitas para que possamos fazer cruzamento de ligações realizadas e recebidas, para que agente possa ter uma quantitativa exata de quanto de dinheiro o casal tinha, se isso foi retirado, quem retirou e quando retirou. Isso é fundamental para que possamos estabelecer a real motivação e se teve o auxílio, mesmo que indireto, no sentido de instigação, para praticar o crime”, finalizou.

Caso

Rodrigo teria sumido na manhã do dia 28 de julho e a esposa registrou Boletim de Ocorrência (BO) no dia 30, alegando que ele tinha saído de casa para resolver assuntos pessoais. A esposa do policial foi presa na noite de quarta-feira (10) em casa, no bairro Tatuquara, em Curitiba, após perícia minuciosa feita dentro da residência da família que, por meio da substância química luminol, foi encontrado sangue humano no quarto e no banheiro.

A casa estava totalmente limpa e o produto reagiu ao composto quando analisado nos dois cômodos. Um serrote, também com marcas de sangue, foi encontrado dentro da casa. O mandado de prisão de Ellen é temporária, válida por 30 dias, e decretada pela 1ª Vara Criminal de Curitiba. Rodrigo trabalhava na Secretaria de Segurança Pública do Paraná, setor de monitoramento de tornozeleira eletrônica. Juntos, o casal tinha um filho de 9 anos.