Tavares foi morto na Vila Torres depois de 22 anos de vício. Foto: DS/Banda B

 

Ainda criança, com apenas oito anos de idade, Edemilson Oliveira Tavares foi apresentado ao universo sem volta das drogas. Morador da Vila Torres, bairro Prado Velho, em Curitiba, Tavares passou a ter cada vez mais envolvimento com entorpecentes e, por consequência, com o tráfico de drogas. Desde a adolescência, passou a ficar pelas ruas do bairro monitorando a presença da polícia. A cada viatura que dobrava a esquina de longe, o grito se repetia: ‘Cerveja’. Depois de vinte anos, passou a atender apenas pelo apelido. A identidade de Tavares estava, por completa, aderida ao tráfico de drogas.

Para manter o vício, pequenos furtos – comuns entre usuários de drogas que já não possuem acesso livre aos objetos de casa ou não conseguem manter a compra da droga apenas com ‘correrias’. Tinha um futuro altamente estreito – nem mesmo a família acreditava que ‘Cerveja’ tinha ido tão longe, diante de tanto envolvimento com a droga.

Mas o dia chegou. Aos 30 anos, na noite desta quarta-feira (24), ele foi morto a tiros na região que tanto conhecia – fim da rua Embaixador Hipólito de Araújo, já quase esquina com a Guabirotuba.

“O que você pode esperar? Não tem o que esperar. Poucos minutos antes, a gente estava segurando ele dentro de casa, mas como ele estava fissurado, ele saiu em um piscar de olhos quando fomos trabalhar aqui perto. Ele estava tentando mostrar como daria para ele ficar sem a droga. Não deu tempo de nada, quando escutamos os tiros, já imaginamos”, lamentou a irmã, que não será identificada.

O tenente Gutierrez, do 12º Batalhão da Polícia Militar, confirmou que Tavares já era bastante conhecido da polícia. “Ele era conhecido por dar suporte ao tráfico de drogas na região, cada vez que a viatura chegava ele gritava ‘cerveja’. Ele levou tiro no rosto, nas costas, no peito, e morreu na hora. Provavelmente, usaram revólver porque não tinha estojos”, descreveu o tenente.

Assim como em inúmeros casos envolvendo atiradores que comandam o tráfico de drogas na região, nenhum morador quis dar detalhes para a polícia. O corpo de Tavares foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso.

Pinheirinho

Outro homem, com cerca de 45 anos, foi morto com três tiros em frente de uma distribuidora de bebidas, na esquina das ruas José Manoel Voluz com Padre Rafael José Kallinowski. A motivação, de acordo com a assessoria da Polícia Militar, seria uma discussão por desacordo comercial.

O autor teria se aproximado e disparado à queima roupa. Os socorristas do Seiate foram acionados, ainda tentaram reanimar a vítima, mas sem sucesso, já que os ferimentos eram muito graves.

RMC

Em Almirante Tamandaré, um homem, com cerca de 30 anos, foi assassinado com mais de 20 tiros, na Vila Prado. De acordo com a PM, moradores da rua Professor Alberto Piekas, quase na esquina com a rua Pedro Antoniacomi, ouviram os disparos e, logo em seguida, encontraram um homem caído.

O rapaz estava com as mãos amarradas, como explicou o Soldado Schluga, do Corpo de Bombeiros. “Apesar da distância, chegamos rápido, mas ele já estava morto, num total de vinte disparos. Não conseguimos fazer nada”, descreveu.

Pelo menos 30 cápsulas de pistola 9 mm foram encontradas espalhadas ao redor do corpo. Não há informações a respeito do autor do crime, da motivação ou até mesmo da identidade da vítima, que teve o corpo recolhido pelo IML. A Polícia Civil de Almirante Tamandaré investiga o caso.