Por Marina Sequinel e Juliano Cunha

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A professora de inglês Ana Paula Marino César, de 37 anos, esfaqueada por um aluno de 14 anos na última quinta-feira (4), falou pela primeira vez à imprensa sobre o caso, na tarde desta segunda (8). Ela levou 16 golpes de faca dentro da sala de aula na Escola Municipal Ivanete Martins, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba.

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Professora de inglês levou 16 facadas: na mão, braço, antebraço, cabeça, peito e pulmão. (Foto: Juliano Cunha – Banda B)

Ela já tinha explicado todo o conteúdo para os alunos, que estavam fazendo as atividades propostas, quando foi atacada. “Estava tudo normal, os estudantes estavam tranquilos, não havia nada de errado. Quase no final da aula, eu sentei na mesa ao lado da parede. Foi quando ele veio perto de mim. A única coisa que eu lembro é dele vindo na minha direção”, disse ela em entrevista à Banda B.

Ana Paula levou facadas na mão, no braço, antebraço, peito, cabeça e no pulmão. Ela tentou manter a calma na hora, mas viu os outros alunos desesperados e saindo correndo do local. “Eu só pensava que eu não podia morrer, porque eu deixei meus três filhos em casa, eu ainda tenho que cuidar deles”, completou a professora.

Para ela, o motivo do crime não está ligado a nenhum fato isolado com o adolescente que a golpeou, mas sim a uma reunião com todos os professores e pedagogos, que teria convocado determinados pais para irem até a escola. “Não foi algo comigo especificamente, eu só vejo essa violência como resultado de uma série de fatores, porque eu nunca fui ameaçada. Disseram que eu sou rígida. Bom, se querer resultados dos alunos e exigir que eles guardem o celular para prestar atenção é ser rígida, eu sou”, declarou ela, indignada.

Ana Paula ressalta, ainda, que a violência que enfrentou não foi um fato isolado, como a nota da Secretaria Estadual da Educação afirmou na ocasião. “Eu não sei o que tanto querem esconder, para quê minimizar a dor que eu estou sentindo”.

De acordo com ela, professores do país inteiro vivem casos como o dela diariamente. “A situação de uma professora que levou uma pedrada na cabeça ou uma ‘carteirada’ é menos importante do que o meu porque eu recebi 16 facadas? É violência do mesmo jeito. A educação está doente e ninguém liga, ninguém dá apoio nenhum. Nós estamos em uma profissão de risco e eu não quero que esses casos caiam no esquecimento e não sejam resolvidos”, concluiu.

Para relembrar a ocorrência, clique nas matérias relacionadas abaixo.

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