Por Marina Sequinel

Dois primos foram presos em flagrante após aplicarem o golpe do “bilhete premiado” contra uma idosa de 77 anos no bairro Portão, em Curitiba, na última sexta-feira (30). Daniel Júnio de Souza, de 32 anos, e Tamara Semensato de Souza, 23, foram descobertos quando o gerente da agência bancária desconfiou do nervosismo da vítima ao tentar sacar R$ 5 mil direto do caixa.

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Bilhetes usados pelos golpistas já estavam vencidos. (Foto: Banda B)

“Ele achou estranho a atitude da mulher e alertou a delegacia, que imediatamente começou as diligências na região. Após monitorar as imediações do banco, nós percebemos que havia um casal em um veículo estacionado próximo à agência, sinalizando para a idosa”, comentou o delegado Wallace de Oliveira Brito, da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga (DEDC), em entrevista à Banda B.

Além do veículo, os policiais apreenderam bilhetes de loterias, 80 reais da idosa e outros documentos usados na execução da fraude.

O casal responderá pelos crimes de estelionato, associação criminosa e crime contra o idoso. A mulher recebeu mandato de prisão provisória e foi liberada logo em seguida, enquanto o homem continua preso. A Polícia Civil prossegue nas investigações para apurar outros envolvidos e possíveis vítimas do esquema criminoso.

Golpe do bilhete premiado

Segundo o delegado, esse tipo de golpe é tipicamente brasileiro e é usado por estelionatários há mais de 50 anos. “Primeiro, uma pessoa aparentemente humilde aborda a vítima, dizendo que tem um bilhete premiado e que precisa do dinheiro, porque possui algum tipo de necessidade. Ao mesmo tempo, o golpista diz que está desconfiado do bilhete, que não sabe se é verdadeiro”, explicou.

Em seguida, um segundo indivíduo se aproxima, mais bem vestido, e pergunta o que está acontecendo. Ele se oferece para ligar para a Caixa Econômica Federal (CEF) e simula o telefonema, afirmando que a CEF confirmou que é verdadeiro. O dono do bilhete diz, então, para a vítima que, se ela der uma quantia em dinheiro, pode ficar com parte do prêmio – geralmente um valor exorbitante.

“É preciso estar atento, ninguém oferece dinheiro assim, do nada. Mesmo que seja antigo e pareça bobo, nós sempre registramos esse tipo de ocorrência aqui na capital”, concluiu.