Por Elizangela Jubanski e Bruno Henrique

A Delegacia de Futebol e Eventos (DEMAFE) vai pedir nesta semana que a torcida organizada do Paraná Clube, a Fúria Independente, auxilie na identificação do segundo torcedor envolvido no caso de racismo, que aconteceu na última quinta-feira (10). De acordo com o delegado Clóvis Galvão, o documento será entregue em breve. “A gente espera que a diretoria da organizada nos auxilie a identificar o outro torcedor”, disse à Banda B.

Ainda, segundo ele, imagens de câmeras da imprensa auxiliam na identificação do primeiro deles. “Falta pouco”, comemora o delegado. O jogo do Paraná Clube contra o São Bernardo, vencido pelo Tricolor por 3 a 1, terminou na delegacia. Dois torcedores do Paraná xingaram o volante Marino, do São Bernardo, no final da partida válida pela Copa do Brasil. Os xingamentos tinham cunho racista e aconteceram no momento em que o jogador deixava o gramado da Vila Capanema após ter sido expulso. “Macaco”, gritaram os torcedores, que têm entre 40 e 65 anos.

De acordo com o delegado, o episódio de racismo é mais um que mancha o futebol brasileiro. “A gente torce para que estas ocorrências acabem, mas infelizmente isso não está acontecendo. Aqui em Curitiba, é o primeiro caso de racismo, mas no país isso infelizmente está se tornando recorrente. Nesse caso eu posso garantir que vamos identificar os suspeitos, vai caber a justiça definir se eles responderão pelo crime ou não”, disse.

Punição

A preocupação do Paraná é com relação às punições no âmbito esportivo que pode receber do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em casos como esse, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê até a exclusão da competição do clube envolvido. Tudo depende do trabalho da Procuradoria, responsável por fazer as denúncias de irregularidade.

“Se houver provas que isso aconteceu realmente, vamos avaliar. Aí sim poderá ser feita a denúncia. A pena depende da gravidade. São várias penas previstas: perda de mando, perda de pontos e até exclusão”, expôs ontem à Banda B, logo após a denúncia, Paulo Schmitt, procurador-geral do STJD.

Algo que poderia servir como prova no Tribunal é a súmula da partida, o documento oficial do evento. Poderia, já que o árbitro Rodrigo D Alonso Ferreira não relatou nenhuma irregularidade.

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