Foto: Bruno Henrique/Banda B
Lixão clandestino ocupa área equivalente a três campos de futebol

Policiais da Delegacia do Meio Ambiente invadiram hoje, por volta das 5h30, um lixão clandestino na área de mananciais de água em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O local, do tamanho de três campos de futebol, era usado há pelo menos dois anos como depósito de restos da construção civil. De acordo com o delegado Wallace de Oliveira Brito, responsável pela operação, um suplente de vereador do município é quem negociava com as empresas de construção o depósito dos resíduos das caçambas. “Temos fortes indícios de que esse suplente de vereador está por trás de todas as negociações. As investigações apontam que ele é quem fazia o acerto com as construtoras para o depósito dos resíduos nesta área de proteção ambiental”, informou o delegado em entrevista à Banda B. O nome do suplente ainda não foi revelado pela polícia.

Uma denúncia levou a polícia até o lixão clandestino e as investigações já estavam sendo feitas há quatro meses. Nesta quinta-feira (16), oito policias da Delegacia do Meio Ambiente foram até o local, que fica no Jardim Guarituba, na divisa entre Piraquara e São José dos Pinhais. O objetivo era flagrar o descarregamento das caçambas, mas nenhuma apareceu. O local está repleto de resíduos e animais morto. “É um local totalmente insalubre onde claramente há vários crimes ambientais. Por aqui passam inúmeros córregos com origem em nascentes da região. Água que abastece boa parte da população de Curitiba e Região Metropolitana”, explicou Brito.

Segundo a polícia, o suplente de vereador negociava com empresas de construção o despejo dos resíduos no lixão. Enquanto o custo para descartar resíduos da construção civil em um local autorizado fica em torno dos R$ 300, no lixão clandestino o custo girava entre R$ 30 e R$ 40, apontam as investigações. O local é de mata fechada e, para abrir o espaço do lixão, inúmeras árvores foram derrubadas.

A polícia deve pedir nas próximas horas a prisão do suplente de vereador suspeito de chefiar o esquema. O proprietário do terreno, que também não teve o nome revelado, deve ser intimado a prestar depoimento, assim como os responsáveis pelas empresas que utilizavam a área para despejo de resíduos. Todos devem responder por crime ambiental, agravado pelo descarte de lixo em área de manancial.