Por Elizangela Jubanski e Geovane Barreiro

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Policial atirou em jogador enquanto acontecia uma partida de futebol de ambas equipes. Foto: DS/Banda B

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Camargo foi morto por um tiro nas costas, efetuado pelo PM. Foto: Reprodução/Facebook

O soldado da Polícia Militar (PM) Eurico Gerson Araújo Pires, acusado de matar o representante comercial Gilson Camargo, 28 anos, em uma partida de futebol em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, irá a júri popular. A decisão foi dada pela juíza de Direito, Paula Candeo Figueira, e publicada oficialmente nesta quarta-feira (7). Gerson atirou três vezes contra Camargo, alegando legítima defesa, mas a vítima não portava arma. Outros três policiais também foram investigados, segundo o comandante-geral da corporação, o coronel Maurício Tortato, sob suspeita de fraude processual, já que um revólver teria sido entregue na delegacia do município, com afirmações de que seria de Camargo. Na época, diversos vídeos foram divulgados desmentindo a versão do policial.

Cinco meses após o crime, que aconteceu no dia 17 de julho, o advogado da família da vítima, Brunno Pereira, acredita que a sociedade dará um desfecho justo para o caso. “O policial, evidentemente, foi remetido a júri popular em virtude dos indícios de materialidade de autoria nesse crime. Cabe agora a defesa entrar com alguns recursos, mas acusação entende que será difícil em virtude da fundamentação exposta na decisão da doutora Paula, juíza de Direito do município”, disse, em entrevista à Banda B.

Eurico Gerson foi preso pela Polícia Militar (PM) três dias após o crime. Desde então, segue detido em um Batalhão da PM, que não foi divulgado à imprensa. “A defesa tentou, por diversas instâncias, remanejar recursos e tentativas de pedidos de liberdade, felizmente não teve êxito. Esse policial continua preso, por um crime gravíssimo, onde será julgado por homicídio qualificado e fraude processual”, descreve o advogado Pereira.

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Bombeiros encontraram garrafa de água junto ao corpo de Camargo. Foto: Reprodução/Montagem Banda B

Arma

Além de homicídio qualificado, quando se tem intenção de matar, o soldado da PM pode ser condenado a fraude processual. No dia do crime, Eurico Gerson prestou depoimento ao delegado Antônio Messias da Rosa, de Campina Grande do Sul, e, na companhia do comandante do Batalhão, segundo o delegado, entregou um revólver calibre 38 que seria de Camargo.

Diante disso, outros três policiais foram investigados por participar do homicídio contra Camargo. O coronel Maurício Tortato afirmou que todos os envolvidos seriam averiguados, inclusive, o oficial coordenador que esteve no local do crime. A suspeita é que os policiais tenham levado o revólver para simular que Camargo estivesse armado, já que vídeos e imagens desmentem a versão do soldado.

Eles seriam processados, conforme artigo 347 do Código Penal do Brasil, por fraude processual, onde consiste modificar o local do crime, os objetos relacionados ao crime ou mesmo o estado das pessoas envolvidas. “Testemunhas presenciais afirmam categoricamente que a vítima não estava armada, a juíza fez essa análise na sua decisão e agora, como se trata de um rito do tribunal do júri, fica a cargo da sociedade, por intermédio por jurados, avaliar essa situação”, finaliza o advogado da família de Camargo.

A expectativa é que o júri popular aconteça até o primeiro trimestre de 2017. Caso condenado pelos dois crimes que responde, Eurico Gerson pode pegar até 30 anos de prisão. Camargo não tinha passagens pela polícia, era casado, tinha um filho de 8 anos e trabalhava como representante comercial no ramo de bebidas.

O caso

O crime aconteceu em uma cancha na Rua Júlio Guidolin, no Jardim Santa Rosa, no dia 17 de julho. O time do policial disputava uma partida contra a equipe de Camargo. Em momentos diferentes, o representante foi expulso e o policial substituído no jogo. Os dois terminaram de assistir a partida pela arquibancada. A versão do policial é que ele perseguiu o representante, em direção ao estacionamento, por imaginar que ele estivesse armado, já que andava com as mãos na cintura.

O PM atirou três vezes contra Camargo. Imagens que circularam por meio das redes sociais mostraram uma garrafa de água sendo retirada da cintura do jovem, o que negaria a versão dada pelo policial. No dia do crime, o policial foi levado por uma viatura até a Delegacia de Campina Grande do Sul e liberado em seguida. Na noite do dia 20 de julho, a Polícia Militar (PM) cumpriu a prisão temporária do soldado lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM), acusado de assassinar o representante comercial.

Polícia Militar

No dia do crime a PM optou em não conversar com a imprensa – in loco, já que a equipe de reportagem da Banda B estava no local. O pronunciamento oficial da corporação aconteceu dois dias depois do crime. Segundo nota enviada à imprensa, o policial militar ficaria afastado das funções operacionais até o término do procedimento administrativo interno na Polícia Militar.

A Banda B entrou em contato com a assessoria da PM para ter informações atualizadas sobre o processo administrativo que o soldado responde internamente dentro da corporação e foi informada que o caso segue na justiça comum. “O inquérito foi concluído e enviado para Vara da Justiça Militar Estadual, que entendeu que o caso era de competência da justiça comum”.

Sobre as investigações contra os outros policiais envolvidos no caso, a assessoria da PM busca mais detalhes. A reportagem aguarda retorno.

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