Por Denise Mello

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Secretário de Segurança Pública do Paraná, Cid Vasques

Após ser informado, ainda não oficialmente, de que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) pediu sua saída do cargo de secretário de segurança pública do Paraná ao Conselho Superior do Ministério Público do Paraná, Cid Vasques reagiu. Disse à Banda B que o pedido está sendo feito agora pelo fato do órgão não concordar com o rodízio de policiais que atuam no Gaeco, que vem sendo implantado por ele.

“É uma reação clara. Estabelecemos um rodízio de policiais que atuam no Gaeco como política interna de aproveitamento da experiência angariada por esses profissionais durante a atuação no grupo. Temos casos de delegados, por exemplo, que estavam há 12 anos no Gaeco. Por que não promover um rodízio para que outros também acumulem essa experiência?”, afirmou Vasques.

O pedido do Gaeco feito ao Conselho Superior do Ministério Público do Paraná tem como objetivo retirar Vasques do cargo por meio da suspensão da licença dele como procurador do Ministério Público. Se a licença for revogada, Vasques terá que deixar o comando da Sesp-PR.

O argumento do Gaeco é incompatibilidade, já que o secretário estaria “obstruindo as ações do órgão, o que comprometeria a independência do grupo”.

Vasques, que se sempre foi contra a aprovação da PEC 37, que pretendia retirar o poder de polícia do Ministério Público, reafirmou que é preciso manter claras e éticas as relações entre polícia e MP. Garantiu que não é objetivo do Sesp obstruir ou dificultar o trabalho do Gaeco. Pelo contrário.

Lembrou que o Gaeco tem seis núcleos regionais: Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Guarapuava e Foz do Iguaçu. E, para esses núcleos, destinou 36 policiais militares (sendo oito deles oficiais), e 20 policiais civis (entre delegados, investigadores e escrivães).

“O efetivo de 36 policiais é praticamente um pelotão. Há municípios no estado que têm três policiais militares nas ruas e seis no Gaeco. Em nenhum momento acenamos com a possibilidade de reduzir este efetivo. O que estamos implantando é um rodízio para que mais policiais tenham o direito de obter a mesma experiência que poucos hoje desfrutam. O Gaeco reagiu e pediu minha saída”, disse Vasques.

O secretário reforça ainda que, com 56 policiais à disposição do Gaeco, o objetivo é colaborar e não atrapalhar. “O trabalho é sempre conjunto e tem um objetivo comum: o aperfeiçoamento da Política Estadual de Segurança Pública. E isso, obviamente, tem como um dos pilares a intolerância com desvios de conduta, não só nos organismos policiais, mas em qualquer esfera da Administração. E o Governo do Paraná, através da Sesp, não tem medido esforços para viabilizar o desempenho dos Gaecos, ainda que enfrentando seríssimas dificuldades em função da precariedade de material humano”, completou.

O pedido do Gaeco ainda não foi julgado pelo Conselho Superior e o secretário afirma que não foi notificado oficialmente.