Por Denise Mello, Danaê Bubalo e Paulo Debski

O médico Raphael Suss Marques, principal suspeito pela morte da fisiculturista Renata Muggiatti, em setembro último, saiu da prisão na noite desta quinta-feira (15), após três semanas detido. Ele foi libertado por decisão da 1.ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça do Paraná, que entendeu que não haveria mais a necessidade de mantê-lo detido após o laudo de necropsia apontar que não houve asfixia da jovem. Rafael saiu do Complexo Médico Penal de Pinhais direto para a delegacia para participar da reconstituição da morte da modelo.

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Raphael Marques no dia da prisão em 25 de setembro. Agora ele está livre

A reconstituição aconteceu no apartamento do casal, no mesmo horário da morte de Renata, no dia 12 de setembro,  por volta da meia-noite. Tudo foi cercado de muito sigilo já que o caso ainda corre sob segredo de Justiça. Policiais seguiram a versão do que teria acontecido de acordo com o relato de Rafael e também com base no laudo das lesões sofridas por Renata, segundo o IML. Os trabalhos duraram cerca de três horas. Ao contrário do que se imaginava, não foi jogado do 31º andar um boneco para simular a queda da modelo. Este artifício havia sido utilizado na reconstituição da morte da garota Isabela Nardoni, em São Paulo, que foi jogada da janela do apartamento pelo pai.

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Renata morreu após cair do 31° andar de um prédio (Foto: Reprodução)

O advogado de Raphael, Edson Abadala, disse que a reconstituição correu muito bem. ” Só posso falar perifericamente do caso diante do sigilo. Posso dizer que tudo ocorreu na mais perfeita ordem com empenho das autoridades. Não houve dificuldade para que o dr. Raphael participasse, apesar de não ser obrigado a participar. Mas como tem todo o interesse de esclarecer o que aconteceu, está colaborando com a polícia”, afirmou. “É um momento muito difícil para uma pessoa como ele, que está abalada psicologicamente diante dessa acusação e da prisão, mas ele respondeu a tudo que foi pedido”.

O resultado da reconstituição irá fazer parte do inquérito que apura morte da modelo, assim como o laudo final da exumação do corpo, já feita.

O laudo do IML divulgado  na última terça-feira (13) provocou uma reviravolta no caso. O laudo não descarta a possibilidade de homicídio para a polícia nem a suspeita sobre o namorado dela, Raphael Suss Marques. Mas existiriam outros indícios que serão revelados ao final do inquérito. A investigação do caso não desconsiderou a asfixia como causa, pois faltam exames complementares, como o resultado da análise do corpo exumado de Renata.

A defesa de Rafael acredita que agora será provado que o medico é inocente e está colaborando com a investigação. O advogado de Raphael diz que seu cliente foi vítima de uma série de erros da polícia e de autoridades que divulgaram exames sem conclusão. “Uma falta de competência absoluta e precipitação total. Entrevistas sem que o laudo de necropsia estivesse concluído levaram ao erro de outras autoridades que culminou com a prisão do dr. Raphael. E a mesma magistrada que determinou a prisão, determinou a soltura porque entendeu que não haveria mais elementos para a prisão temporária”, contou o advogado.

Quebra de sigilo

Edson Abdala também afirmou à Banda B que vai pedir que o caso não corra mais em segredo de Justiça. “Depois que houve um erro na prisão, não é justo a sociedade se privar de informações sobre o caso. Por conta disso, já estou pedindo que o caso não corra mais em segredo de Justiça, o que agora é errado”,concluiu.

A prisão de Raphael foi decretada no dia 25 de setembro. De acordo com o despacho da juíza Mychele Cintra, elementos indicavam que o médico tenha simulado o suicídio de Renata. A prisão temporária era de 30 dias e aconteceu para que ele não atrapalhasse as investigações.

No dia da prisão, o diretor do IML, Carlos Alberto Peixoto Batista, disse que o exame comprovou que a asfixia foi cometida enquanto ela ainda estava viva. “Por meio de exames microscópicos, onde foi tirado um osso do pescoço, se chegou a esta conclusão. O meio usado para o aperto no pescoço ainda requer de investigação, mas há um declínio muito grande de sangue no cérebro antes da queda”, explicou.

O caso

Renata Muggiati morreu no último dia 12 de setembro após cair do 31° andar. Inicialmente o caso foi tratado como suicídio, mas novos fatos apontaram para a possibilidade de um crime. No dia 25, a Justiça do Paraná decretou a prisão temporária. O IML indica que a morte de Renata aconteceu por asfixia e não pela queda. Desde o início, Raphael nega as acusações.

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