Por Elizangela Jubanski e Danaê Bubalo

Os moradores da Favela da Portelinha, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba, bloquearam ruas próximas da comunidade no início da noite desta quarta feira (12). O protesto por moradia aconteceu um dia após a morte de uma criança de 8 anos em um incêndio a uma casa. O Corpo de Bombeiros demorou cerca de 1h30 e a falta de relógios de água na comunidade impediu o socorro rápido à criança. Os moradores querem regularização no local.

O protesto começou por volta das 19 horas na rua Rezala Simão Quitéria e os moradores atearam fogo em pedaços de madeiras, entulhos e pneus para bloquear a via. Aos gritos, a população pedia por regularização na moradia, água e luz. O morador da comunidade há 6 anos, Odilon Marques, organizou o manifesto e disse que foi preciso uma tragédia para que os olhos se voltassem à região.

“A gente já vem pedindo socorro há muito tempo. Desloquem a gente se for necessário, queremos água, luz, somos cidadãos e queremos uma solução por parte dos órgãos públicos. Já aconteceram alguns incêndios aqui na comunidade, mas hoje levamos um caixão lacrado porque a criança foi retirada parecendo uma vela lá de dentro. Isso é um absurdo”, reclamou. Segundo os moradores, no local há cerca de 80 famílias que dividem um relógio de água. Durante o incêndio, moradores usaram baldes para apagar o incêndio, no entanto, a pouca pressão dificultou bastante o socorro.

A Polícia Militar (PM) esteve no local, acompanhou o manifesto, mas não interferiu no movimento. Outra moradora da Portelinha, Eliziane Martinhaki, que está no local há cerca de 5 anos, relembrou o incêndio do ano passado, onde nove casas foram destruídas. “Entra ano, sai ano, entra político, sai político e a gente fica na mesma situação: abandonados. Teve incêndio há um ano, nove casas foram incendiadas, mas ninguém morreu. Estavam esperando isso acontecer? Não estamos se negando em pagar nada, só precisamos de dignidade”, relatou.

O trânsito ficou bloqueado por cerca de duas horas e os motoristas foram obrigados a desviar por caminhos alternativos. Os moradores encerraram a manifestação após decidirem ir até a Prefeitura de Curitiba, na manhã desta quinta feira (13).

Garoto

O corpo do menino Eduardo Dominique Oliveira, 8 anos, foi velado em uma das casas da comunidade e será sepultado na manhã de hoje (13) no Cemitério do Bonfim, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Ajuda

A família do garoto já recebeu diversas doações como materiais de construção, móveis e roupas. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato com a Rádio Banda B (41.3240-7500), que vai disponibilizar o contato da família.

Prefeitura

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba e recebeu o seguinte retorno, na íntegra:

“A ocupação Portelinha formou-se sobre um terreno particular. A Cohab vem, há alguns anos, negociando com os proprietários da área. A solução que está sendo tentada inclui a dação da área ao município em pagamento de impostos e, posteriormente, a transferência do terreno para a Cohab. No entanto, esta dação depende de alguns entraves burocráticos, como a subdivisão do terreno, já que apenas uma parte da área está ocupada irregularmente pelas famílias. A atuação da Cohab no local não é possível antes de cumprida esta etapa. Após a conclusão dos processos de dação e transferência, será feito um projeto de urbanização da área e será necessário viabilizar recursos para as obras de infraestrutura. A regularização dos lotes às famílias ocorre no final da intervenção”.