Por Marina Sequinel e Luiz Henrique de Oliveira

O homem acusado de matar a esposa, a funcionária pública Ane Mari Gubert, de 52 anos, será julgado por homicídio duplamente qualificado na próxima segunda-feira (24) no Tribunal do Júri. O crime aconteceu no dia 11 de setembro de 2010, no bairro Água Verde, em Curitiba, durante uma briga entre o casal no apartamento onde moravam.

Orlando Carlos Genol da Rocha, de 53 anos, foi preso em flagrante na ocasião, depois que a polícia encontrou o corpo da vítima com um tiro perto da nuca. Ele responde pelo crime em liberdade, após o pedido de habeas corpus, por se tratar de réu primário.

ane-mari3Ane Mari foi encontrada morta depois de uma briga com o marido. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Logo depois do crime, ele ligou para os familiares e afirmou que Ane tinha se matado. Mas, quando chegamos lá, Orlando já estava algemado e sendo encaminhado à delegacia, já que a perícia constatou que se tratava de homicídio”, relatou a sobrinha da vítima, Anelize Gubert, à Banda B nesta quarta-feira (19). A defesa alega que o disparo foi acidental, mas a família não acredita nessa hipótese.

De acordo com ela, meses mais tarde, uma espécie de “diário” foi encontrado no notebook de Ane Mari, onde ela relatava os problemas que sofria com o marido. “Ela começou a escrever um ano antes do crime. Ela contou que Orlando tinha vários relacionamentos extraconjugais e que ele entrava em contato com diferentes mulheres pela internet. Quando ela reclamava e pedia para ele parar, o marido a agredia e a maltratava”, completou Anelize.

Uma das frases que mais chamou a atenção da sobrinha da vítima foi “Eu nunca apanhei do meu pai e nem da minha mãe e você me deu um tapa na cara”. “Nós não fazíamos ideia que ela passava por tudo isso. No dia do crime, Ane Mari ligou para uma tia minha e não se identificou, não disse nada. Ela ficou ouvindo a briga do casal pelo celular durante 12 minutos, mas não aguentou escutar até o fim e desligou. Se ela tivesse ficado com o aparelho ligado, poderia ter ouvido o tiro”, contou a sobrinha.

A família espera agora que Orlando seja condenado no julgamento de segunda-feira. “Todas as provas apontam para o homicídio qualificado, o tiro não foi acidental. Nós temos esperança de que ela seja punido e a justiça seja feita”, concluiu.

A Banda B tentou entrar em contato com o advogado de defesa do réu, mas o telefone do escritório permaneceu ocupado até o fechamento desta reportagem.