Por Felipe Ribeiro

(Foto: Divulgação)

Um ano após o Juízo de Rio Branco do Sul, na região metropolitana de Curitiba, aceitar denúncia contra o delegado Rubens Recalcatti e mais oito pessoas (dos quais sete são policiais civis), acontece nesta quarta-feira (8) a primeira audiência de instrução e julgamento do caso. Eles são acusados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Promotoria de Justiça da Comarca de envolvimento no assassinato de Ricardo Geffer, um suspeito de envolvimento na morte de João da Brascal, ex-prefeito de Rio Branco do Sul e primo do delegado, crime ocorrido em 2015.

A audiência de instrução e julgamento, marcada para às 15 horas, tem o objetivo de decidir se os acusados serão submetidos ao júri popular. De acordo com o advogado de defesa dos policiais, Cláudio Dalledone, várias testemunhas de acusação e de defesa devem ser ouvidas, o que pode fazer a audiência desdobrar por mais de uma sessão.

“Eles denunciaram fatos em juízo, disseram que houve uma execução. A verdade dos fatos está muito distante disso e a audiência, o processo criminal, existe para a garantia de qualquer acusado. Todos os policiais agiram em estrito cumprimento do dever legal e em legítima defesa e isso vai ficar estampado. A acusação não irá conseguir fazer provas suficientes para levar esses honrados policiais a julgamento popular. Nós iremos abalar todas às ‘certezas’ do Ministério Público”, afirmou Dalledone.

Ao todo, o MP indicou mais de 15 testemunhas para a audiência. Da defesa, o número é ainda maior.

A acusação

Os nove são acusados de participação no homicídio qualificado de Geffer. O processo os acusa pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, crueldade e sem chance de defesa da vítima), abuso de autoridade e fraude processual.

Recalcatti foi preso pelo Gaeco em outubro de 2015, na Operação Aquiles, quando comandava a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP). Solto uma semana depois, ele segue afastado da Polícia Civil até o término das investigações. Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) chegou a apontar que Ricardo Geffer, suspeito de matar Brascal, foi morto por oito tiros, sendo que um deles na parte superior do crânio, de cima para baixo, fazendo com que a bala saísse por uma das têmporas. Essa constatação seria uma das indicações de execução, segundo o Ministério Público. A defesa afirma que Geffer foi morto em confronto.