Por Luiz Henrique de Oliveira

O jovem Mateus Franco da Luz, de 18 anos, passou a primeira noite na cela temporária do 5° Distrito Policial, em Curitiba, sem parar de chorar e mostrando arrependimento pelo crime que cometeu. Ontem, ele matou a facadas o amigo de infância Guilherme Toniolo, de 27 anos, após uma discussão durante a madrugada em um edifício de luxo que morava com o pai, no bairro Bacacheri.

A primeira informação no local do crime era de que os jovens assistiam a um filme de ‘serial killer’ quando teria acontecido, por parte da vítima, um desafio contra o acusado. O tenente Roberto, da Polícia Militar (PM), disse à Banda B, minutos após ao assassinato, que Toniolo afirmou para Luz que ele não tinha coragem de matá-lo. Motivado por isso e sob o efeito de álcool e produtos alucinógenos, o jovem pegou uma faca e o teria golpeado. Só que a versão do delegado Rogério Martins de Castro, do 5° DP, é outra, após ter ouvido o acusado e as testemunhas. “O jovem não falou nada sobre este suposto filme”, garantiu à Banda B na tarde desta quarta-feira (30).

De acordo com o delegado, os dois jovens e os pais deles estavam no apartamento desde o início da tarde, em uma espécie de confraternização. “Eles saíram de lá e passaram o fim da tarde em uma loja de conveniência em um posto de combustíveis, onde beberam e compraram bebidas alcoólicas para levar até o apartamento. Durante a madrugada, enquanto os pais dormiam, fizeram uso de desodorante e bom ar, borrifando o líquido em uma camiseta velha e cheirando, para ter efeito de alucinação”, descreveu.

TONIOLO

Toniolo foi morto pelo amigo de infância (Foto: Reprodução Twitter)

Ainda segundo o delegado, os amigos estavam na mesma casa porque o pai de Toniolo tinha perdido recentemente a esposa. “São amigos de longa data e ontem estavam juntos. O pai da vítima acordou com a gritaria, que começou na sacada e terminou na cozinha. Com isso o pai do acusado também levantou e eles verificaram o que aconteceu, com o Toniolo não resistindo aos ferimentos. O jovem que está preso aqui chora muito e diz que lembra do crime, mas não tem a menor ideia do motivo e do porquê terem discutido”, destacou.

Por fim, Martins de Castro confirmou que o jovem permanecerá detido. “Ele só sairá caso o seu advogado consiga alguma coisa junto ao sistema judiciário. No inquérito policial, o fato do pai da vítima ter perdoado, por exemplo, não muda em nada a gravidade do fato”, concluiu.

Toniollo e Luz eram amigos de infância. Seus pais frequentavam a mesma igreja e os dois costumavam passar boa parte do tempo juntos. O pai da vítima perdoou o acusado na delegacia e disse que poderia ter acontecido ao contrário.