Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

Uma investigadora da Polícia Civil se irritou com o barulho de uma festa de confraternização de uma empresa e atingiu a cabeça de uma copeira ao efetuar um disparo de arma de fogo da janela da casa dela, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. Rosária Miranda da Silva, 50 anos, era funcionária da empresa, participava do evento, teve perda de massa encefálica e está internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cajuru. A policial vai responder por tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o autor não tem intenção de matar, mas assume o risco.

O crime aconteceu na madrugada de sexta-feira (23), por volta da 1 hora. A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionada quando a vítima foi internada no hospital, encaminhada por socorristas do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate).

De acordo com o delegado-chefe Fabio Amaro, um perito da Polícia Científica fez a trajetória do projétil, já na mesma noite do disparo, e detectou – também por relatos de testemunhas – que ele partiu de uma casa vizinha, onde mora a investigadora. “Ela não estava em casa, uma vez que, se nós soubéssemos da participação dela, teríamos que autuá-la em flagrante, fomos até o local de trabalho, onde também não estava”, contou.

Durante o fim de semana, um advogado procurou a DHPP, alegando que nessa segunda-feira (26) essa policial se apresentaria e daria a versão dela aos fatos. “Então, ela compareceu aqui, confessou que foi ela a autora dos disparos, disse que não tinha intenção de atingir a vítima, que o disparo aconteceu de uma janela da casa e teria recocheteado e, então, atingido a cabeça da dona Rosária”, descreveu Amaro à Banda B.

Diante da apresentação espontânea, da colaboração da policial e das circunstâncias do crime, segundo a polícia, a investigadora assinou um interrogatório e foi liberada. “As providências administrativas estão sendo feitas nesse momento e a comunicação à Corregedoria da Polícia Civil já foi feita no dia que descobrimos que seria ela a autoria do crime também foi encaminhado um ofício para a delegacia a qual ela é subordinada para que ela exerça, por enquanto, trabalhos administrativos.

O processo da investigadora entrará como dolo eventual quando não tem intenção de matar a outra pessoa, mas assume o risco de produzir. “A gente acredita que essa investigadora tenha agido com esse tipo de dolo. Não se descarta a hipótese eventualmente pedido de prisão, caso seja necessário, mas isso será previamente levantando no decorrer das investigações. Ninguém está acima da lei, visto que, não raras vezes, indivíduos cometem crimes e dias depois entregam a arma de fogo, agem com dolo, com intenção, e então respondem em liberdade”, defendeu.

Nos autos oficiais, a declaração da investigadora, que não teve o nome divulgado, é que a incomodação foi gerada pelo excesso de barulho. “A alegação dela é que se sentiu incomodada com a balbúrdia , com a bagunça, que já passava de duas horas da manhã, que sua mãe estava acamada com o falecimento de seu genitor há pouco tempo e todas essas circunstâncias constam no seu interrogatório”, finalizou Fabio Amaro.