Por Luiz Henrique de Oliveira e Bruno Henrique

Após a morte de duas crianças em menos de uma semana, a Vila Torres, no bairro Prado Velho, em Curitiba, foi bloqueada no último fim de semana por 24 horas, para garantir segurança à população e evitar novos crimes. Uma arma de fogo chegou a ser apreendia, mas a sensação de que algo mudou com isso não veio. Pelo menos é o que garante o presidente da Associação de Moradores da Vila Torres, Marcos dos Santos. Em entrevista à Banda B, Santos disse que o verdadeiro ‘bloqueio’ das autoridades ao local é prejudicial e já acontece há anos.

“É a ineficácia do poder público. Projetos sociais e creches são abandonadas. Hoje nós vemos crianças trabalhando a bordo de carrinhos de papel como se fosse algo normal. Já pedimos reformas tanto ao poder público municipal e estadual, mas ninguém faz nada. Somos refém de tudo isso”, lamentou.

bloqueio“Bloqueio aconteceu no fim de semana, mas o verdadeiro vem de anos” (Foto: Bruno Henrique – Banda B)

Para o presidente da associação, a solução para o local deixar de ser comandado pela criminalidade está longe de ser concretizada. “Nós já estamos implorando a Deus, porque as autoridades não agem. Eles precisam agir, fazer trabalho na comunidade. Queremos segurança de fato, andar livre na comunidade e não merecemos ser desrespeitados, porque aqui tem muita gente honesta”, disse Santos.

O local é dominado por duas gangues rivais. Para quem vai sentido Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) para a Av. das Torres encontra do lado direito da Rua Guabirotuba a ‘Gangue de Baixo’ e do lado esquerda a ‘Gangue de Cima’. A disputa pelos pontos de tráficos é o que motiva a guerra entre elas. Vários suspeitos já foram presos, mas os crimes não cessar. Só neste ano, foram 17 assassinatos na região, sendo 14 motivados pela rivalidade.

Marginalizados

O sociólogo Renato Teixeira confirmou que a sensação de marginalidade toma conta da Vila Torres. “A cidade é violenta de uma forma geral, mas privilegiamos negativamente alguns lugares. A Vila Torres é próximo ao Centro e ao Jardim Botânico, em um lugar nobre, e isso traz incomodo, o que dá uma sensação de mais marginalidade ainda para os próprios moradores, que são vistos com maus olhos e sentem a necessidade inclusive de dizer que lá tem ‘gente boa’, como podemos ver nas reportagens”, explicou.

Para Teixeira, as autoridades precisam ir além do tema Segurança Pública. “A população pede mais policiamento, mas vemos também que viaturas foram apedrejadas, o que é uma contradição. Alguma coisa está gerando isso e o problema vai além”, concluiu.

Desde o bloqueio da PM neste fim de semana, nenhum caso de assassinato aconteceu na Vila Torres.

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