Da Redação com Polícia Civil

Um falso sequestro fez uma idosa de 68 anos se trancar em um quarto de hotel, em Curitiba, e realizar diversas transferências para bandidos de fora do Paraná entre a última terça (24) e esta quinta-feira (26). O falso crime foi desvendado por policiais da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), após a família se encaminhar até a delegacia relatando o desaparecimento. O fato aconteceu após eles encontrarem a casa da vítima aberta e com vários eletrônicos ligados.

De acordo com o delegado Rodrigo Souza, a filha da vítima narrou que durante todo a quarta-feira (25) foram realizados vários saques e transferências de valores da conta da vítima para contas bancárias de outros Estados. “Nesse sentido, várias equipes da DFR realizaram buscas com o objetivo de localizar a vítima, o que aconteceu, após alguns cruzamentos de dados e informações recebidas pela delegacia”, contou o delegado.

Por volta de 1h de quinta, a mulher de 68 anos foi encontrada hospedada em um hotel, no centro de Curitiba. “Ela estava sem dormir a quase 48 horas, sendo constantemente ameaçada pelo telefone”, disse Souza. O delegado teve que caminhar pela marquise do hotel no 11° andar para negociar com a vítima.

Ainda de acordo com Souza, mesmo após a localização da vítima, houve uma negociação por aproximadamente uma hora, visto que a senhora ainda acreditava que sua filha ainda estaria com os bandidos e se negava a abrir a porta do quarto do hotel. A equipe então arrombou a porta e conseguiu “resgatar” a senhora, que foi mantida em cárcere privado face a extorsão praticada por telefone.

Com o caso esclarecido e mais calma, a vítima narrou que recebeu uma ligação, na noite de terça (24), quando bandidos afirmavam que estavam com a filha dela e que inclusive uma menina se passou por sua filha, dizendo que estava machucada. “Ela disse que os bandidos a ordenaram que se hospedasse em hotel e que não mantivesse contato com ninguém, pois supostamente estaria sendo vigiada. Na manhã de quarta, a quadrilha ordenou que a senhora realizasse os saques e os depósitos nas contas indicadas”, explicou o delegado.

Segundo Souza, a quadrilha foi municiada pelas informações passadas indiretamente pela vítima e com isso acabou gerando todo o terror psicológico pelo qual a vítima foi submetida. “As investigações vão prosseguir para tentar identificar as origens dos telefonemas e a titularidade das contas usadas para os saques e transferências”, concluiu Souza.