Bruno Henrique/Banda B
Polícia calcula que o prejuízo causado às indústrias seja superior a R$ 10 milhões

Um dos cabeças de uma quadrilha que aplicava golpes milionários foi preso na tarde desta quinta-feira (16) pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce). Hamze Ahmad Barakat, 50 anos, fazia parte de um esquema milionário de fraudes em indústrias do ramo de vestuário, que agia em cinco estados. A polícia calcula que o prejuízo causado às indústrias seja superior a R$ 10 milhões.

De acordo com a Polícia Civil, Hamze agia em conjunto com outro comparsa que já identificado. Eles criavam empresas em nome de “laranjas”, as chamadas “araras” e por meio destas empresas compravam em larga escala de indústrias de vestuário e calçados. “Essas compras nunca eram pagas”, contou o delegado titular do Nurce, Cassiano Aufiero. Estes materiais eram rapidamente revendidos para outros comércios por preços atrativos e até mesmo para lojas “quentes” em nome dos próprios envolvidos e suas famílias.

De acordo com Aufiero, o golpe atingiu muitas empresas, inclusive de outros estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “O prejuízo causado pela dupla ultrapassa com facilidade os R$ 10 milhões, ocasionando a falência de 18 empresas já identificadas”, contou Aufiero, destacando que por cautela a polícia não irá divulgar os nomes dessa empresas.

Durante a operação, foram encontradas duas lojas no Centro e mais duas no Novo Mundo que estavam vendendo as mercadorias adquiridas fraudulentamente pelas empresas criadas por Hamze e seu comparsa. Duas delas pertencem inclusive aos investigados. Além disso, ainda foi apreendido um Gol que foi comprado também fraudulentamente, causando prejuízo para uma famosa concessionária de Curitiba. “Sabemos que existem mais lojas vendendo estas mercadorias, inclusive por preço abaixo do de fábrica, a medida em que formos identificando elas serão vistoriadas”, afirmou Aufiero.

Hamze e seu comparsa, que está foragido no Líbano, serão indiciados pelos crimes de receptação qualificada, estelionato, falsidade documental e formação de quadrilha. Há informações de que Hamze aliciava libaneses recém-chegados ao Brasil para que estes “emprestassem” o nome para abertura de empresas para a prática dos golpes.

O Nurce ainda estuda a possibilidade de, assim que a prisão preventiva do outro envolvido for decretada, acionar a Interpol para garantir que o mesmo pague no Brasil a sua pena.