O jovem Muriell Marshall Madeira, de 24 anos, que confessou ter matado a mãe a facadas dentro do apartamento deles na noite de quinta-feira passada (9), no bairro Pinheirinho, em Curitiba, alegou que estava sendo ameaçado por ela. O corpo da professora Denise Simionatto, de 64 anos, foi encontrado por amigos, que estranharam a ausência dela no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) em que atuava. O filho foi preso em flagrante na tarde do dia seguinte (10), na casa do pai, em Joinville (SC).

À imprensa, o jovem chegou a mencionar que havia uma história por trás do crime, mas que não era o momento para declarações. “Não quero dizer nada. Eu quero esperar construir melhores argumentos. Tem que se conhecer toda a história, eu vou pensar, escrever. Isso é um fato parcial, que você não conhece a história plena, sensacionalista, que a mídia gosta de vender”, se defendeu.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito não esboçou reação no momento da prisão. “Tranquilo, chegou a falar que gostava da mãe, que a mãe gostava dele, mas que precisava fazer aquilo para que as vozes parassem”, conta o delegado da 3ª Delegacia de Homicídios, Osmar Feijó.

De acordo com informações apuradas pela polícia, na noite do crime o suspeito teria discutido com sua mãe. Após a briga, o rapaz pegou uma faca de cozinha que havia comprado uma semana antes do crime, efetuando vários golpes no pescoço e tórax de Denise. “A vítima estava dormindo no sofá da sala quando o suspeito se aproveitou da situação para matá-la. O homem tentou levar o corpo da mãe até o banheiro, pois segundo ele, queria deixar a casa limpa, entretanto não conseguiu levar o corpo e acabou fugindo do local”, contou o delegado.

Depois da prática do crime, o suspeito fugiu com a faca até a Rodoferroviária de Curitiba e comprou uma passagem para Joinville. “Ele estava na rua, próximo da casa do pai. Ele confessou lá mesmo, na delegacia. Aqui entrou em detalhes, contou como foi a morte, como ele fez, onde teria jogado a arma do crime. Ele confessou que a mãe estava dormindo no sofá, por volta das 23 horas. Ele tinha comprado uma faca de cozinha, de lâmina lisa, para se defender. Segundo ele, a mãe tinha tentado matar ele há umas três noites. E ele estava no Facebook dele, veio essa informação de que a mãe iria matá-lo, ele simplesmente levantou e foi em cima da mãe, desferindo três golpes fortes no peito dela. Não há nada de familiares e evidências que mencionem isso”, descreveu.

Durante o seu percurso, o jovem disse à polícia que passou próximo ao Mercado Municipal e afirma ter deixado a faca em cima de um telefone público. “O local foi vistoriado, mas nada foi encontrado”, disse o delegado.

Na casa da família, a polícia não encontrou evidências de lutas. “Tinha um cigarro de maconha usado, mas quando o prendemos não estava sob efeitos de entorpecentes, nem alcoolizado. Na mesa onde estava o computador dele, havia livros sobre magia negra, velas queimadas e ele disse que aquilo era uma defesa contra a mãe, que ele achava que a mãe fazia magia negra pra ele. Essa é a versão dele”, finalizou Feijó, da DHPP.