Por Marina Sequinel e Luiz Henrique de Oliveira

Um advogado de Curitiba é acusado de se apropriar do dinheiro de clientes durante revisões de contratos de financiamento de imóveis. Segundo a defesa dos clientes lesados, ele alegava que as parcelas seriam depositadas em juízo enquanto o processo tramitava, mas que, na verdade, ficava com o montante. O acusado nega as irregularidades.

Segundo o advogado Rafael Pilati, que representa as famílias prejudicadas, ele era procurado por várias pessoas porque prometia diminuir de forma significativa o valor do financiamento. “Um casal mais esclarecido, que contratou o acusado há anos, decidiu procurar ajuda depois que ele começou a se recusar a dar informações sobre o processo. Um amigo advogado verificou, então, que não existia nenhum valor em depósito judicial, diferente do que havia sido acordado”, explicou ele em entrevista à Banda B na tarde desta segunda-feira (3).

As vítimas pagavam, de acordo com Pilati, uma parcela mensal e, no suposto fim do processo, o advogado dizia que o juiz liberaria o imóvel, mas que precisava de uma quantia a mais para quitar a dívida. “Às vezes era R$ 20 mil, outras R$ 150 mil. O dinheiro ia direto para o acusado e as pessoas continuavam com débito nos bancos. Algumas chegaram a ser despejadas de casa”, completou o advogado.

Pilati informou que já entrou com uma ação para pedir a suspensão do exercício profissional do acusado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a abertura de um Inquérito Policial para investigar o caso. “Nós buscamos também a reparação dos valores perdidos por essas famílias. Devido situações como essa, é muito importante que, antes de contratar um advogado, o cliente obtenha o maior número de informações possíveis sobre ele, além de não acreditar em promessas mirabolantes, e sempre cobrar prestação de contas”, disse.

Segundo ele, pelo menos 10 vítimas já o procuraram e o prejuízo causado pelas ações chega a aproximadamente R$ 700 mil. Se considerar as pessoas que perderam os apartamentos, a cifra supera R$ 1 milhão.

O outro lado

A Banda B entrou em contato com o advogado acusado, que negou as irregularidades. O que aconteceu, segundo ele, foi um problema processual com três clientes, que ocorre em segredo de Justiça e que, por isso, não pode ser divulgado. Ele afirmou que tem 15 anos de reputação e que não se apropriou do dinheiro das famílias. A reportagem não publicou o nome do advogado acusado já que o caso está em segredo judicial.