Rosaira era copeira de uma empresa e estava confraternizando com colegas. Foto: Arquivo família

 

Familiares e amigos de Rosaira Miranda da Silva, de 43 anos, baleada na cabeça por uma policial civil durante uma confraternização da empresa marcaram para essa sexta-feira (8) um protesto. Kátia das Graças Belo efetuou disparos de arma de fogo pela janela da casa dela por estar incomodada com o barulho da confraternização. O objetivo da família é pressionar o Tribunal de Justiça do Paraná para que trate o caso com mais rapidez processual, principalmente quanto aos julgamentos dos recursos da defesa da policial.

Marido da copeira diz que não dorme e quer justiça. Foto: AN/Banda B

Para a Banda B, o marido de Rosaira, Francisco Feliciano Leite, disse que todos da família esperam justiça. “A gente vai para um ano e precisamos lembrar que a gente não dorme. A Justiça pode dormir, mas a gente, não. Vamos até o fim porque o que essa mulher causou para a gente foi a destruição de uma família. Ela tem que pagar pelo que ela fez, é o mínimo que a gente faz. Eu não quero mais ficar pagando o salário dela porque policial como ela eu não quero para a sociedade”, criticou.

Em julho, o juiz Daniel Surdi de Avelar determinou que a policial civil Kátia das Graças Belo seja levada ao júri popular, já que há indícios de autoria e materialidade do crime. Entretanto, a defesa da policial recorreu ao Tribunal de Justiça e o juiz autorizou que Kátia permaneça em liberdade durante o processo.

O protesto está marcado para acontecer às 17 horas e o ponto de encontro será na rua Matheus Leme, em frente ao local onde Rosaira foi baleada, no bairro Ahú. De lá, eles caminharão até o Tribunal de Justiça, que fica na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico.

O crime

Rosária participava de uma confraternização no dia 23 de dezembro de 2016, no Centro Cívico, quando foi baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrido e ficou internada no hospital, mas não resistiu e morreu no dia 1º de janeiro. Na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Kátia disse que se irritou com o barulho da festa, que ocorria ao lado de casa. O disparo teria sido feito da janela do apartamento dela.

A investigação da Polícia Civil apontou que Kátia fez mais de um disparo contra a festa em que a vítima estava. De acordo com a análise da Polícia Científica, uma das simulações mostra que a janela de Kátia é compatível com a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Rosária. A investigação encontrou ainda um vídeo de monitoramento de uma empresa vizinha, que apontaria que a investigadora fez pelo menos dois tiros contra a festa e não um como afirmou em depoimento na DHPP. As imagens mostrariam clarões vindos da janela da policial.

Kátia foi indiciada pela DHPP pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, motivo fútil e sem defesa pra vítima. O inquérito foi assinado pelo delegado Fábio Amaro.

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