Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias

Fotos: DM/Banda B/ Leandro Martins/Colaboração

Paixão de Leonardo era o Coritiba. Foto: Reprodução Instagram

O velório do jovem Leonardo Henrique da Rocha Brandão, 18 anos, na Igreja do Bairro Novo, em Curitiba, foi marcado por revolta e tristeza entre os familiares, na manhã desta segunda-feira (20). Leonardo foi morto por um disparo de arma de fogo, na tarde de ontem (19), efetuado por um sargento do 12º Batalhão da Polícia Militar (BPM), designado para a escolta da torcida até a Arena da Baixada, onde aconteceria o clássico Atletiba, pelo Campeonato Paranaense 2017. Familiares e amigos do jovem morto relataram que o tiro efetuado pelo policial partiu de dentro da viatura, que estava com as janelas abaixadas.

Segundo os pais de Leonardo, o garoto estava com o amigo cujo pai foi levá-los ao Couto Pereira, horas antes. “Ele foi com Mateus, depois que saísse de lá iria ligar para ir buscar, justamente para evitar brigas, era muito tranquilo”, disse a mãe do garoto, Vanderleia Brandão, à Banda B.

O pai de Mateus, amigo de Leonardo, estava no velório e afirmou que o tiro foi disparado quando policiais passaram pela torcida, dentro de uma viatura do 12º BPM. “Eles passaram pela torcida, iam começar a escoltar todos até a Arena, estavam com as armas para fora da janela quando um disparou e pegou no peito do Léo. O policial deve ter disparado, mas ele puxou o gatilho, como que o tiro ia sair sem fazer nada? Já levava os meninos para não acontecer esse tipo de coisa e agora isso? O menino vivia lá em casa, viajava com a gente, era muito amigo do meu filho, meu amigo. Um menino que valia a pena ter amizade, educado, não é porque está morto, não, ele era um menino sensacional. Muita tristeza”, descreveu Francisco Moreira, em meio às lágrimas.

Confronto

Testemunhas disseram que a confusão entre policiais e torcedores teria iniciado após o disparo, quando torcedores se revoltaram e usaram garrafas e pedras contra policiais, derrubando, inclusive, motocicletas da corporação.

Na versão da PM, o disparo aconteceu acidentalmente, mas sem detalhes sobre como e onde foi efetuado. Uma coletiva acontece na manhã de hoje (20) com a imprensa para a divulgação de mais detalhes.

Sem acreditar na versão de tiro acidental, o pai do garoto, Ademir Brandão, falou à Banda B que o disparo partiu de uma pistola. “Ele saiu alegre para ver o time dele jogar e voltou dentro de um caixão por causa de uma polícia despreparada. Sem mais nem menos, ele levou um tiro no peito, estava caminhando para ir ao estádio, todo mundo contou que não tinha confusão nenhuma. Foi um tiro de pistola .40. Uma arma não vai disparar à toa, isso não foi assim como estão falando, não. Um piá bom, trabalhava, não era metido em nada errado, simplesmente, gostava de futebol, torcia pelo Coxa”, disse o pai.

A mãe Vanderleia Brandão estava bastante emocionada e lembrou que antes de sair de casa o filho disse que a amava. “Que difícil, meu Deus. Era um menino alegre, nunca estava triste, tudo estava bom. Não entendo porque isso aconteceu. Justo ontem, antes de sair, ele disse ‘mãe, te amo’. Por que isso aconteceu, meu Deus. Meu filho está morto”, finaliza.

As últimas homenagens ao torcedor acontecem com tristeza, com a presença de alguns torcedores e uma faixa do clube, em verde e branco. O sepultamento acontece no Cemitério Pedro Fuss, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.