O delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius da Costa Michelotto, afastou, até que sejam concluídas as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) relativas a um suposto caso de extorsão, os delegados Luiz Carlos de Oliveira e Gérson Machado, titulares respectivamente da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) e do 6.º Distrito Policial de Curitiba.

O delegado Walter Baruffi Júnior será o novo titular da DCCP e o delegado Rodrigo Brown de Oliveira assumirá o 6.º DP. “Esperamos que toda essa investigação seja concluída com rigor”, disse Michelotto.

Noite na cadeia

Os dois delegados presos nesta quarta-feira (3) na Operação Vortex, deflagrada em Curitiba pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), passaram a noite na cadeia. Os dois são suspeitos de participar do esquema de corrupção, que envolveria a cobrança de propina em falsas fiscalizações realizadas em lojas de autopeças.

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Oliveira e Machado foram afastados

Na casa de Oliveria, além de armas de uso restrito, a polícia encontrou U$ 98 mil dólares. Segundo o procurador de Justiça Leonir Battisti, do Gaeco, ele teria alegado que o dinheiro seria de ganhos em cassinos. Machado também foi autuado por porte ilegal de arma, mas por trás da prisão estaria o envolvimento no esquema de extorsão. Machado nega qualquer envolvimento e diz que tudo está acontecendo em represália por não ter concordado em participar da extorsão.

Machado, que era delegado-chefe da DFRV e atualmente é o comandante do 6° Distrito Policial, afirmou que foi preso por ter detido no ano passado o maior receptador de carros da Grande Curitiba.

“Prendi o Milton Stingler em Araucária e eu mesmo o apresentei ao Ministério Público. Por isto fui mandado embora da DFRV, por prender este ‘vagabundo’. Ele é o maior receptador de Curitiba e lá dentro da DFRV não permitiam a prisão dele, porque há um esquema dentro desta especializada. Mandei embora dez policiais por estarem agindo errado e eles voltaram depois que eu fui ‘chutado’ de lá”, esbravejou o delegado

Esquema

Os promotores do Gaeco acreditam que a corrupção ocorria a partir de falsas fiscalizações em lojas de autopeças e ferros-velhos. A investigação começou há cerca de oito meses, após um homem chamado Milton Stiegler procurar o Ministério Público para dizer que era vítima de extorsão policial. Ele seria proprietário de uma loja de autopeças em Araucária e suspeito de receptação de veículos furtados e roubados. Stiegler também foi preso durante a investigação.

De acordo com o procurador Battisti, as investigações começaram há oito meses baseadas em denúncias de que policiais estariam cobrando propina para livrar autopeças de flagrante por receptação. “Isso é um indicativo. Em princípio, conseguimos mandados de busca e apreensão da justiça. Temos argumentos e provas fortes”, disse Battisti.

Segundo o coordenador do Gaeco, os policiais permanecem presos. “Agora temos que obter mais informações em computadores, agendas e blocos apreendidos nas delegacias e nas casas dos delegados”, afirmou o responsável pelo Gaeco.