Por Luiz Henrique de Oliveira e Djalma Malaquias

O delegado da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), Rubens Recalcatti, foi preso nesta manhã de terça-feira (13) em uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Ele é investigado por suspeito de participação de homicídio qualificado contra um homem que teria envolvimento na morte de João da Brascal, ex-prefeito de Rio Branco do Sul e primo do delegado. A defesa de Recalcatti nega o crime e critica uma inversão de valores por parte do Gaeco.

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Recalcatti foi preso por um mandado de prisão temporária (Foto: Divulgação)

O advogado Claudio Dalledone, que representa Recalcatti, lamentou a prisão (que dura 30 dias). “É com pesar que confirmo essa prisão do delegado. É uma prisão temporária feita pela promotoria de Rio Branco do Sul, com apoio do Gaeco. Ele é acusado de homicídio qualificado contra um suspeito da morte de João da Brascal, quando na verdade aconteceu um intenso tiroteio com esses criminosos perigosos”, descreveu à Banda B.

A morte de Brascal aconteceu no dia 12 de abril, já a do suspeito no dia 28 do mesmo mês. Dalledone explicou que familiares do morto em suposto confronto procuraram a promotoria de Rio Branco do Sul. Segundo o Gaeco, a operação é denominada Operação Aquiles.

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João da Brascal e funcionário foram executados a tiros (Foto: Mário Ribeiro / Folha de Rio Branco)

“O juiz de direito acabou por entender que seria suficiente uma prisão temporária para se compor uma investigação. É investigado uma operação irregular, que seria um homicídio qualificado. É uma inversão de valores, a prisão de um delegado desse naipe suspeito de homicídio contra um perigoso marginal”, disse o advogado.

Presente na sede do Gaeco, o filho do delegado, Renato Recalcatti, afirmou que o pai está muito nervoso. “Isso é uma tremenda de uma sacanagem. Meu pai está revoltado. Ele deu 36 anos da vida pela polícia e agora acontece isso”, lamentou.

Recalcatti foi preso na casa em que mora no bairro Ahú. Além dele, outros quatro policiais civis foram detidos pelo Gaeco. Em uma das buscas realizadas, foi apreendido um revólver, calibre 38, sem registro. Também foram apreendidos pen drives, documentos e valores em dinheiro.

Delegado de carreira

O delegado ocupou vários cargos na Polícia Civil e chegou a ter o nome cotado para assumir a Secretaria de Segurança Pública do Paraná na saída de Fernando Francisquini em abril. Recalcatti também foi candidato a deputado estadual e obteve mais de 40 mil votos. Ele é suplente de deputado estadual pelo PSD.

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