Por Elizangela Jubanski e Geovane Barreiro

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Gilson foi morto por um tiro nas costas, efetuado pelo PM. Foto: Reprodução

A Delegacia de Polícia de Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, concluiu o inquérito sobre a morte do jogador Gilson Camargo, 28 anos, na tarde do dia 17 de julho, exatamente há um mês. O soldado Gerson, lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM), que efetuou um disparo de arma de fogo contra Gilson, foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado, por motivo fútil. O policial militar continua preso por meio do pedido temporário de 30 dias, efetuado durante as investigações.

Para a Banda B, o delegado responsável pela delegacia Antônio Messias da Rosa afirmou que o inquérito foi concluído dentro do prazo e ainda revelou que há um pedido de troca de delegado no caso. “Encaminhei ao Ministério Público para que ele pudesse oferecer denúncia ou fazer novas diligências. Tendo em vista que o pessoal requisitou que fosse nomeado um novo delegado de polícia para o caso, deixei à disposição do Juiz da Comarca para que ele desse por concluído ou, em caso de diligência, desse ao novo delegado”,

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Soldado Gerson está preso há quase 30 dias. Foto: Reprodução

Sobre o pedido de troca de delegado no caso, Messias alega que a defesa do policial militar teria se incomodado com a forma que o inquérito estava sendo concluído e solicitou ao Juiz da Comarca que ele fosse substituído. “Eu me dei pelo dever cumprido, cumpri com a minha obrigação legal de autoridade policial de levar até o fim a descoberta da autoria, a materialidade e até o pedido de prisão. A minha conclusão foi essa, tentei ser imparcial e não me deixei levar pelos pedidos da defesa e, infelizmente, se sentiram incomodados”

Anexado há 15 dias, o pedido da defesa alega que o delegado responsável pelo caso não comunicava a defesa dos seus atos. “Acontece que o caderno investigatório da autoridade policial não dá direito ao contraditório. O delegado tem libre arbítrio de prosseguir nas diligências independente da defesa ou de quem quer que seja. A autoridade policial tem o poder discricionário de colocar dentro do inquérito aquilo que ele acha válido”, conclui.

Com o inquérito em mãos, o Poder Judiciário pode prorrogar o pedido de prisão temporária, transformá-la em preventiva a partir dos autos ou ainda, vencendo o prazo de 30 dias, terá de colocá-lo em liberdade, por obrigação legal. “Eu dei por dever cumprido, não resta nada que Campina Grande possa fazer, eu cumpri com minha obrigação”.

No Brasil, a pena mínima para homicídio qualificado, quando o crime é doloso (com intenção de matar) e apresenta qualificadores, é de 12 anos e a máxima de 30 anos de prisão.

Polícia Civil

A Banda B entrou em contato com a Polícia Civil sobre o pedido feito pela defesa e foi informada que não há qualquer fundamento na alegação. Eles confirmam que há o pedido da defesa para o troca de delegado responsável no caso, no entanto, é infundada. Em breve, a Polícia Civil encaminhará uma nota à Banda B sobre o caso.

O caso

O crime aconteceu em uma cancha na Rua Júlio Guidolin, no Jardim Santa Rosa, na tarde de domingo (17). O time do policial disputava uma partida contra a equipe de Gilson. Em momentos diferentes, o representante foi expulso e o policial substituído no jogo. Os dois terminaram de assistir a partida pela arquibancada. A versão do policial é que ele perseguiu o representante, em direção ao estacionamento, por imaginar que ele estivesse armado, já que andava com as mãos na cintura.

O PM atirou três vezes contra Gilson. Imagens que circulam por meio das redes sociais nesta segunda-feira mostram uma garrafa de água sendo retirada da cintura do jovem, o que negaria a versão dada pelo policial. O PM, lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) do 22º, foi levado por uma viatura até a Delegacia de Campina Grande do Sul.

Prisão

Na manhã do dia 20 de julho, o delegado Messias da Rosa afirmou à Banda B que as provas apresentadas revelavam que houve crime de homicídio. “Até agora, tudo aponta que houve uma precipitação por parte do policial militar. Infelizmente, ele usou uma arma da corporação para praticar um crime e, pelas provas materiais e testemunhas, houve um homicídio”.

No mesmo dia, à noite, a Polícia Militar (PM) cumpriu a prisão temporária do soldado lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), do 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM), acusado de assassinar Gilson Camargo, 28 anos.

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