Soldado está preso desde o dia 19 e a estudante permanece desaparecida. (Foto: Reprodução/Facebook)

 

A defesa do soldado da Polícia Militar (PM) Diogo Coelho Costa, principal suspeito do desaparecimento da universitária Andriely Gonçalves da Silva, de 22 anos, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o caso. Em entrevista à Banda B nesta quinta-feira (24), o advogado Luiz Goldman afirmou que o ex-marido da jovem é inocente e que acredita que ela tenha ido embora para São Paulo.

A estudante de Direito sumiu no dia 9 de maio e, desde então, a família não tem nenhuma notícia sobre o paradeiro dela. De acordo com Goldman, na noite do desaparecimento, Andriely pediu para que o soldado levasse um notebook até a casa dela. Os dois passam pelo processo de divórcio, mas já estavam separados há alguns meses.

“As imagens das câmeras de segurança estão corretas. Diogo foi com o computador até a residência naquele horário [às 23h56] porque era justamente quando ela chegava da faculdade. A próxima gravação, da madrugada, mostra a jovem saindo de casa com ele. Sem ser coagida, Andriely entra na porta do passageiro e, durante o trajeto do carro, segundo o soldado, começa a conversar com outra pessoa pelo celular”, relatou Goldman à reportagem nesta quinta-feira (24).

Em um determinado momento, segundo o ex-marido, a universitária pediu para que ele a deixasse perto de um ponto de ônibus ou de um terminal, o que ele acabou fazendo. Diogo alega que essa foi a última vez que ele a viu.

“Ela deve estar em São Paulo”

O advogado comentou que o soldado sabia que Andriely teria conhecido uma pessoa pelas redes sociais e que demonstrou ter vontade de ir embora porque estava apaixonada. “Ela já tinha ido para São Paulo em uma semana anterior, porque o pai dela é de lá. Parece que a jovem então conheceu essa outra pessoa, não sei se eles mantiveram um relacionamento ou não, e disse que não queria mais continuar em Colombo”.

O sangue no carro

Além das imagens das câmeras de segurança, já mencionadas por Goldman, outro indício encontrado pela polícia aponta um suposto envolvimento do policial no desaparecimento da ex-esposa: o sangue encontrado no veículo dele com a ajuda do luminol, substância química que torna visível manchas que não podem ser vistas a olho nu.

Sobre essa evidência, a defesa afirmou que se trata de sangue de menstruação. “A Andriely tem endometriose, o que causa um sangramento muito intenso no período menstrual. O carro em questão era usado por ambos e ele disse que, algumas vezes, ela foi pega de surpresa pela vinda da menstruação, manchando o banco do veículo”, completou.

Mensagens para a sogra

Goldman disse que ainda não escutou a versão da mãe de Andriely e que não leu o inquérito, mas acredita que as mensagens enviadas pelo Diogo para ela pelo celular, após o desaparecimento, foram apenas no intuito de dizer que não sabia onde ela estava, e de explicar quando tinha sido o último contato com a ex-mulher.

Inocência

A defesa vai insistir na tese de que Diogo é inocente. “Seria infantil ele praticar qualquer ato contra a Andriely uniformizado e com câmeras de segurança. É incoerente acusá-lo. Ele me contou que ficou chateado com o fim do casamento, mas que jamais faria nada de errado. O fato de ele permanecer calado até agora é uma questão de orientação nossa, já que não tivemos acesso ao inquérito”, finalizou.

O próximo passo, agora, é aguardar o trabalho da polícia para analisar se a defesa solicita um habeas corpus ou se espera o término da prisão temporária. Diogo está preso desde o último sábado (19).

 

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