Por Luiz Henrique de Oliveira e Djalma Malaquias

Tenente-coronel pediu desculpas pela morte de jovem (Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

O tenente-coronel Wagner Lúcio dos Santos, comandante do 12° Batalhão da Polícia Militar (12° BPM), pediu desculpas à família do jovem Leonardo Brandão, de 18 anos, que morreu após levar um tiro de uma submetralhadora de um sargento da Rotam (Ronda Ostensivas Táticas Móveis) do 12° BPM. Foi assim que o oficial começou a entrevista coletiva desta segunda-feira (20) para falar sobre a ‘grande tragédia’ que aconteceu neste domingo, durante a escolta de torcedores do Coritiba que seguiam para o Atletiba na Arena da Baixada.

“Primeiramente, quero pedir desculpas a toda a sociedade pelo ocorrido. É uma tragédia que assola também a Polícia Militar. O sargento tem mais de 20 anos de serviço e está muito abalado. Ele tem um histórico limpo na corporação e se consultou com uma psicóloga logo após a tragédia. O sargento foi afastado das ruas e, em 15 dias, se tiver em condições, retorna à corporação com trabalhos administrativos”, descreveu o tenente-coronel.

Após o pedido de desculpas, o oficial falou sobre a alegação dada pelo sargento. “Tinham policiais da ROTAM prontos para fazer a escolta, quando o comandante de uma das equipes estava fora da viatura e entrou nela. Quando ele foi colocar a bandoleira (alça) de uma submetralhadora ponto 40, o cano estava voltado para a janela e ele sentiu o recuo da arma, além da fumaça dentro da viatura. Ao olhar para o lado, visualizou o rapaz caído e percebeu o que havia acontecido”, destacou.

“Não apertou o gatilho”

Corpo de Leonardo foi enterrado nesta segunda-feira (Foto: Reprodução)

Ainda segundo o tenente-coronel, ao ser ouvido o sargento alega não ter apertado o gatilho. “Ele alega que não estava com o dedo ou acionou o gatilho”, explicou, salientando que apenas uma perícia poderá atestar a verdade da afirmação dele. “É uma arma de doze anos de uso. Apenas uma perícia vai definir como aconteceu o disparo. Não tenho dados oficiais sobre quantos acionamentos de uma arma acontecem desta forma, sem se aperar o gatilho”, disse.

Questionado sobre o uso de arma letal em uma escolta, até o momento tranquila, o tenente-coronel afirmou que era um procedimento de praxe. “Até o momento do disparo, o procedimento era o correto. Dentro da viatura, existe armamento de munição não letal. Mas são policiais experientes e que antevem ocorrências futuras, por isso que trabalham desta forma”, concluiu.

Um inquérito policial administrativo foi instaurado e terá um prazo de 60 dias para ser concluído.