Por Felipe Ribeiro

Dez meses após o crime que terminou com a morte da menina Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, começou no início da tarde desta segunda-feira (5) a audiência de instrução dos 21 policiais acusados de tortura contra os quatro acusados pelo crime. A expectativa é de que a audiência, que é realizada no Fórum de Colombo, leve de dez a quinze dias para ser concluída. Os policiais são acusados de abuso de autoridade, falso testemunho, tortura, estupro e lesão corporal.

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Foto: Arquivo

De acordo com o chefe de investigações da delegacia do Alto Maracanã, Rudis Eloi, que pediu para se aposentar após os três meses que ficou preso, ele pediu para sair da corporação devido a injustiça. “Eu abracei esta profissão por 32 anos e foi para mim que eles confessaram o crime, isso aqui é uma vergonha. A tortura é feita para obter uma confissão, a imprensa acompanhou toda a localização do corpo. Eles apanharam na Delegacia de Araucária porque o Adriano Batista mexeu com a filha de um dos presos na visita, então os presos o agrediram”, disse.

Outro policial acusado de tortura comemorou a chance de dar a sua versão sobre o caso. “Todo mundo sabe que foram os presos que fizeram isso, nós só queremos que nossas vidas voltem ao normal e que eu possa voltar à ativa após o julgamento”, comentou.

Em frente ao Fórum de Colombo a movimentação é intensa e todos os envolvidos no caso acompanham a audiência. Os quatro acusados (Adriano Batista, Sérgio Amorin da Silva Filho, Paulo Henrique Camargo Cunha, e Ezequiel Batista), que continuam sob a proteção do Programa de Testemunhas chegaram encapuzados ao local. O delegado Silvan Rodney Pereira também é investigado nesta audiência.

Na acusação, o Ministério Público do Paraná diz que os suspeitos confessarem ter estuprado e matado a adolescente depois de passarem por quatro dias de intensa tortura. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ouviu os quatro suspeitos.

O inquérito sobre a morte de Tayná ainda não foi concluído. O processo passou por quatro delegados e hoje o responsável pela investigação é o delegado Cristiano Quintas.