Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

Revoltado com o indiciamento por parte da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), o comandante-geral da Policia Militar do Paraná, Coronel Maurício Tortato, criticou nesta quinta-feira (1) o inquérito policial que investigou o ‘recall’ em coletes balísticos vencidos e ele afirmou que o relatório assinado pelo delegado Vinicius Borges Martins é baseado em versões “parciais e incompletas”. A investigação foi divulgada pela Gazeta do Povo em abril deste ano. De acordo com a Polícia Civil, além de receber apenas uma malha de reforço, o equipamento era adulterado com etiquetas falsas, de modo a estender em um ano a data de validade.

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Secretário Wagner Mesquita e Coronel Maurício Tortato (Foto: Flávia Barros – Banda B)

Em entrevista coletiva, Tortato afirmou que o Comando da PM adotou todas as medidas regulamentares e que um dos depoimentos que baseiam o inquérito da Polícia Civil não é de quem certifica o equipamento.

“Em momento algum tratamos o assunto com leviandade ou falta de compromisso. Quando a empresa apresentou uma solução, com remanejamento de coletes, comunicamos a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) e pedimos para verificar em Brasília, mas não tivemos resposta. O capitão que foi que falou pelo Exército no inquérito não representa o Exército e temos um posicionamento oficial da DFPC, que advertiu multou a empresa por manusear coletes em local que não tinha certificado de registro”, afirmou.

Além de Tortato, o diretor do Departamento de Apoio Logístico da PM, coronel João Francisco dos Santos Neto, o proprietário e o gerente da empresa que fabricou os equipamentos (Grupo Infra) também foram indiciados por compactuar com “a exposição ao risco iminente aos mais de 12 mil policiais militares, por inércia e omissão”.

O comandante da PM garantiu ainda que todas as atitudes dele foram tomadas de forma responsável e de não expor policiais a risco coletivo. “Sou a única autoridade que tomou providência. Nos preocupamos com a segurança de quem utiliza o equipamento. É melhor ter um equipamento com alguma deformidade até serem potencializados em termos de proteção balística, do que deixar os militares sem equipamento ou precisar retirar eles das ruas”, disse.

A conclusão da Deam pede o bloqueio de bens de todos os indiciados. Por fim, Tortato afirmou que juridicamente o inquérito não o incomoda.

Questionado pela reportagem da Banda B sobre o caso, o secretário de Segurança Pública Wagner Mesquita disse que não irá tecer comentários sobre a interpretação do delegado da Deam, mas que o relatório será observado de forma natural. “A diligência nos coletes era urgente e necessária e, em momento algum, havia determinação de que era ilegal. O fato de ter coletes vencidos apreendidos no local merece investigação aprofundada e está sendo feita”, disse.

Polícia Civil

Em nota, o Departamento da Polícia Civil disse que não interfere e respeita o entendimento jurídico de cada delegado que preside os inquéritos policiais. “O Departamento ressalta também que não há dúvida da boa fé do Comando-Geral da Polícia Militar na estrutura oferecida aos servidores da instituições. E reafirma a integração entre as forças de segurança do Estado”.