Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

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Mala usada pela esposa do policial no crime. Foto: AN/Banda B

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) busca descobrir o motivo de Ellen Federizzi, acusada de matar e esquartejar o marido policial Rodrigo Federizzi, ter mentido durante depoimento oficial à polícia. Ela confessou que atirou contra o marido, enterrou partes do corpo em locais diferentes e queimou a mala usada para transportá-lo. No entanto, uma ligação do lava car onde Ellen deixou o carro após transportar o corpo informou que a cabeleireira deixou uma mala com sangue no local quando colocou o veículo para lavar.

Em depoimento gravado informalmente, a esposa do policial militar afirmou que usou uma mala de viagem para colocar as partes do marido e sair do apartamento, sem que ninguém desconfiasse. Segundo ela, com as partes do corpo enterradas, ela ateou fogo na mala, no lençol e no travesseiro que estavam ensanguentados. O carro foi para o lava car, próximo da casa dela, para que todas as marcas e manchas de sangue fossem limpas.

O delegado Fabio Amaro, responsável pelas investigações, afirmou que a repercussão do caso fez com os proprietários do lava car entrassem em contato com a DHPP. “Eles trouxeram informações sobre uma mala que teria sido deixada no dia de sábado, dia 30 de julho, pela Ellen, provavelmente logo após o assassinato. Ela chegou sozinha com a mala que tinha várias manchas de sangue e estava vazia.

Os proprietários do lava car, que conheciam o casal, passaram a ser testemunhas do inquérito policial. Segundo o delegado, Ellen alegou que as manchas de sangue eram de um abate. “Ela contou para eles que a mala teria transportado certa quantidade de carne de um sítio onde conseguiram carnear um pedaço de boi, um gado que teria sido abatido para que servisse de alimento. Ela teria trazido os pedaços dentro da mala”, contou o delegado.

Diferente do depoimento, a mala não teria sido incendiada. O objeto foi encaminhado para o Instituto de Criminalística para que seja confrontado com a substância luminol, reagente que possibilita a existência de sangue humano. “A polícia acredita que a mala seja a mesma que a Ellen usou para transportar o tronco da vítima. Importante salientar, ainda, que no interrogatório, tão logo após ter enterrado o troco e as pernas, ela disse que teria pego um litro de gasolina, jogado em cima da mala e teria ateado fogo, junto com outros objetos, lençóis e travesseiros que estavam ensanguentados”.

Para a polícia, há cada vez mais indícios que apontam Ellen como a única mentora do crime. “Em todos eles, temos a figura da Ellen sozinha, comprando a pá, a bolsa, levando para lavar. Então, agora, mais uma parte que temos que averiguar junto a ela, reinquirí-la e saber porque mentiu sobre a mala”, finalizou o delegado.

Caso

Rodrigo teria sumido na manhã do dia 28 de julho e a esposa registrou Boletim de Ocorrência (BO) no dia 30, alegando que ele tinha saído de casa para resolver assuntos pessoais. A esposa do policial foi presa na noite de quarta-feira (10) em casa, no bairro Tatuquara, em Curitiba, após perícia minuciosa feita dentro da residência da família que, por meio da substância química luminol, foi encontrado sangue humano no quarto e no banheiro.

A casa estava totalmente limpa e o produto reagiu ao composto quando analisado nos dois cômodos. Um serrote, também com marcas de sangue, foi encontrado dentro da casa. O mandado de prisão de Ellen é temporária, válida por 30 dias, e decretada pela 1ª Vara Criminal de Curitiba. Rodrigo trabalhava na Secretaria de Segurança Pública do Paraná, setor de monitoramento de tornozeleira eletrônica. Juntos, o casal tinha um filho de 9 anos.